“A mentira pode matar tanto como o vírus e este é o momento para falar verdade”, aviso de José Manuel Rodrigues na sessão do 25 de abril

“O Estado não pode faltar aos portugueses das ilhas neste momento de enormes dificuldades”.
“O Estado não pode faltar aos portugueses das ilhas neste momento de enormes dificuldades”.

Falar verdade aos madeirenses e porto-santenses, falta cumprir Portugal na Madeira e a liberdade é um bem precioso que abril nos trouxe, foram pontos chave da intervenção de José Manuel Rodrigues, hoje, na sessão comemorativa do 25 de abril, no Parlamento Madeirense em versão reduzida face aos condicionalismos das medidas de contenção à Covid-19.

No discurso de encerramento da Sessão Comemorativa dos 46 anos do 25 de Abril, o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira pediu responsabilidade aos governantes e à oposição. José Manuel Rodrigues diz que “não podemos ignorar o que nos espera e este é o momento para falar verdade, toda a verdade aos madeirenses e porto-santenses. A mentira pode matar tanto como o vírus; a omissão pode ser tão fatal como a contaminação. E nós não vamos esconder do nosso povo, a recessão económica e a depressão social que temos pela frente.”

Como refere o texto do gabinete de comunicação da Assembleia, aos governantes José Manuel Rodrigues alerta para a “gigantesca responsabilidade de conciliar a salvaguarda da saúde pública com a reativação económica, na certeza, porém, de que a pandemia não é apenas sanitária, ela atingiu profundamente os alicerces da nossa economia e da nossa sociedade”. E à oposição pede também a “responsabilidade de manter o caminho do compromisso em torno das medidas que foram e serão tomadas, para enfrentarmos a crise e evitarmos roturas no tecido social da região, sem obviamente abdicar das suas críticas e das suas propostas alternativas”.

Falta cumprir Portugal

O Presidente do principal órgão de governo próprio da Região diz que “aqui falta, ainda cumprir Portugal” e num discurso virado para quem governa o País, vinca que “o Estado não pode faltar aos portugueses das ilhas neste momento de enormes dificuldades”.

José Manuel Rodrigues insiste que “são escassos os recursos para fazer face à tempestade que se aproxima” e “só com o apoio da República e da União Europeia poderemos ter os meios financeiros para minimizar os danos socioeconómicos e lançar as bases para a reconstrução do nosso tecido empresarial e social”. Pede ao Estado o mesmo que Portugal exigiu e conseguiu da União Europeia: “autorização para contrair dívida e aumentar o défice, acompanhados de uma moratória no empréstimo da República à Região, do redireccionamento das verbas da Lei de Meios e da reprogramação dos fundos da União Europeia para atender à nova realidade e um Programa específico de apoios à nossa Região, tendo em consideração a nossa insularidade e ultraperiferia”.

25 de Abril com “liberdade condicionada” 

O Presidente do parlamento madeirense justifica ainda a necessidade de assinalar a data da revolução que mudou o país. Perante pouco mais de um terço dos deputados madirenses, por razões de segurança sanitária, afirmou que “assinalamos o 25 de Abril, num momento único da vida da Humanidade e numa circunstância excecional da nossa Comunidade. A Liberdade, o bem mais precioso que Abril nos trouxe, está condicionada pelas restrições do Estado de Emergência nacional”, por isso a razão de um alerta para as novas ameaças. José Manuel Rodrigues avisa que “a nossa Liberdade está hoje restringida em nome da Segurança” e pede cuidado “com as ameaças, nomeadamente a da vigilância tecnológica sobre os cidadãos”.

Aos que criticam o facto da Assembleia Legislativa estar reunida numa altura em que se pede distanciamento social,  José Manuel Rodrigues lembra “que a Democracia não está de quarentema e que os deputados, tal como os governantes, têm especiais responsabilidades, e que é nos momentos difíceis como este, que devem estar nos seus postos de trabalho, como estão os profissionais de saúde, os bombeiros, os membros das Instituições Particulares de Solidariedade Social, das Forças  Armadas e policiais, os produtores de bens essenciais, os agricultores, os pescadores, as mulheres e homens dos supermercados, dos correios, da recolha de resíduos, do abastecimento de água, da eletricidade, dos postos de combustíveis, dos transportes públicos  e os jornalistas.

À população da freguesia de Câmara de Lobos deixou “um Abraço fraterno num momento particularmente difícil para um povo que sempre amou o convívio e a festa.


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