O presidente da Câmara Municipal do Funchal disse hoje, no âmbito das comemorações dos 46 anos do 25 de abril de 74, que “sem podermos contar com os pilares de Abril, a atual crise de saúde pública seria uma autêntica tragédia”.
“Todos os direitos, liberdades e garantias, os serviços públicos e o Estado de Bem-Estar foram conquistas tão transformadoras para a sociedade portuguesa, que recolhem até hoje uma unanimidade popular, que importa proteger de soberbas ideológicas e de partidarismos pouco orientados para o interesse comum, fazendo de Portugal, no meio da situação em que vivemos, um exemplo para todo o mundo”, disse Miguel Gouveia.
O autarca considerou este “um momento inédito na Democracia portuguesa, em que persiste um estado de emergência, e onde vozes de intolerância se fazem ouvir no Parlamento, ecoando alarmismos xenófobos que ferem a sociedade, importa, mais do que o simbolismo de uma data, recordar a forma inexorável como essa data alterou as nossas vidas.
Celebrar Abril é, por isso, fazer a nossa parte e dar um pequeno contributo para manter viva a conquista coletiva de um sistema democrático, que nos cabe continuar a conquistar todos os dias. Ontem à noite, todas as freguesias do Funchal foram iluminadas por cinco cravos no céu, que representam isso mesmo: Celebrar Abril é celebrar a Liberdade, a Constituição e o direito a uma vida digna para todos; É celebrar o Sistema Nacional de Saúde, universal e gratuito; É celebrar o direito à Educação para todos; É celebrar a Proteção Social e os direitos no Trabalho; Celebrar Abril é celebrar as Autonomias e o Poder Local Democrático que nos permite ter o nosso destino nas mãos.
Miguel Gouveia disse que “a melhor coisa que podemos fazer todos os anos, e todos os dias, para estar à altura das conquistas de Abril é, no entanto, nunca tomá-las por garantidas. É nunca julgá-las irreversíveis, porque os saudosismos espreitam ao virar de cada esquina. Não passarão. O único caminho possível é repetir Abril todos os dias. Sempre que os direitos dos mais frágeis e desfavorecidos são postos em causa. Sempre que o direito à diferença for objeto de ostracismo e perseguição. Sempre que a autonomia do poder local é beliscada por decisões autoritárias e centralizadoras. Sempre que as populações são discriminadas pelas suas opções políticas. Sempre que a democracia é distorcida para favorecer a parte em detrimento do todo.
Para que Abril se cumpra, importa jamais perder o foco. E nesse aspeto, o Funchal sabe o que quer. Eaponta os objetivos: “Sustentabilidade Financeira e Ambiental; Equidade e Justiça Social; Reabilitação Urbana e Habitação; Inovação e Inteligência; Proximidade e Participação Cívica”.
Miguel Gouveia diz que este momento é de “união, tolerância e entreajuda. Para vencermos o inimigo comum, temos o dever de quebrar os medos com racionalidade e precisamos de coragem para derrubar estigmas com empatia e amizade.Por tudo isso, onde quer que estejamos, continuaremos a celebrar e a repetir Abril. Porque a Revolução está onde cada um de nós estiver, e a Revolução ninguém nos tira”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




