A ideia de doentes com outras patologias que não o Covid-19 estarem eventualmente a ser prejudicados, sendo colocados em segundo plano numa altura em que a maior parte dos recursos está concentrada na pandemia, foi hoje rejeitada por Pedro Ramos, secretário regional com a pasta da Saúde. O Funchal Notícias confrontou o governante com esta possibilidade, na sequência do que já tínhamos reportado há dias: que médicos do SESARAM tinham sugerido, em conversa com o FN, a criação de um hospital não-Covid, devido ao facto de haver muitos doentes crónicos de todas as áreas, para além dos oncológicos, a necessitar de atendimento médico e cirurgias que necessitam de ser realizadas em tempo útil, mesmo que não do foro oncológico. Reparo ao qual veio somar-se, ainda há dois dias, um alerta no mesmo sentido, formulado por Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, que considerou que há doentes a ser “prejudicados” e deixados para segundo pano no meio da pandemia de Covid-19, devido à reorganização dos hospitais empreendida nestes tempos difíceis.
Em resposta ao FN, hoje na conferência de imprensa que traça o retrato epidemiológico na RAM, Pedro Ramos respondeu à pergunta que colocámos: Se os 11 médicos e cerca de uma vintena de enfermeiros adstritos ao Covid-19 não poderiam estar a fazer outras coisas, dado que temos apenas um doente em cuidados intensivos. “Isso é um processo dinâmico”, disse. “A reorganização dos serviços de Saúde pareceu-nos a mais acertada, do modo como foi feita, para este período que estamos a atravessar”.
Por outro lado – apontou – a situação da Madeira, sob o ponto de vista epidemiológico, “é completamente diferente da do país”. Finalmente, declarou, “a análise que estamos a fazer a toda esta situação e a resposta que estamos a dar a todos os doentes não suspeitos de Covid, até agora, o sucesso e o trabalho dos profissionais que estão envolvidos nas equipas é mais do que suficiente. Temos 11 médicos, 31 enfermeiros e 23 assistentes operacionais, com seis equipas de enfermagem, cinco equipas de assistentes operacionais, e os 11 médicos podem ainda ter a colaboração de mais cinco intensivistas e outros médicos de outras especialidades. É mais do que suficiente este tipo de reorganização neste momento, para a resposta à pandemia do Covid-19 na RAM. Mas este é um processo dinâmico. A dinâmica de evolução da pandemia na RAM poderá levar a outro tipo de atitudes. O exemplo mais evidente de que há muita dinâmica nesta reorganização dos serviços de Saúde, que até foi incompreendida, mas que agora toda a gente já entendeu, é de que na segunda-feira vamos lançar o Plano de Contingência, na sua sexta versão (…) Já criámos uma série de espaços para esta nova resposta à pandemia e para a resposta às outras situações (…)”. Para o secretário, “as acessibilidades não ficaram prejudicadas, os doentes continuam a ser assistidos e naturalmente que tudo o que é cirurgias de urgência, cirurgias do foro oncológico, tudo o que é inadiável em qualquer especialidade, na oftalmologia, na cirurgia, na cirurgia cardiotorácica, na neurocirurgia, na própria obstetrícia e ginecologia, tudo isso está a ser feito (…) Acho que a resposta está a ser eficiente e eficaz”, declarou, admitindo algumas alterações, se necessário. Mas disse-se expectante de que a evolução da pandemia não obrigará a uma nova reorganização”.
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