Estepilha – Alerta “vermelho”, o deputado grava

Estepilha, a sessão plenária de hoje, na Assembleia Regional, ficou marcada pela revelação feita pelo deputado do CDS Lopes da Fonseca, como se sabe companheiro de rota do PSD na governação regional, quando divulgou uma conversa tida com Paulo Cafôfo, na noite das eleições, altura em que o candidato socialista, que precisava de aliados para governar apesar da vitória do PSD-Madeira, sem maioria absoluta, prometeu aos centristas quatro secretarias num universo de 15 que a Região teria com um governo socialista. O que, a ser verdade, dava outro debate.

Mas Lopes da Fonseca disse mais, despejou tudo no calor do debate, “está tudo gravado”. E ficou tudo parado a ver onde pára uma coisa que se chama ou chamava ética, se quiserem relacionamento minimamente cordato entre partidos e pessoas, num contexto democrático em que o mais natural, por muito absurdo que se tratasse, se é verdade aquele número de secretarias de Cafôfo (são realmente muitas, mas já nos habituamos a exageros na política que tudo é possível), era a negociação tendo em vista as alternativas. Podia ser com o CDS, podia ser com o JPP. E uma negociação envolve cedências, promessas. Logo a seguir aos resultados, no dia seguinte, uma semana depois, um mês depois ou até mesmo quatro meses depois, como podemos ver com a nomeação para a direção clínica do SESARAM. E não há aqui “meninos do coro” ou “fadas e bruxas”. Existem negociações e ponto, umas mais ridículas do que outras, mas faz tudo parte. Em qualquer partido e dependendo das circunstâncias, como já se viu até em situações que não se pensava ver.

O Estepilha não pode deixar passar a oportunidade para alertar o Governo de coligação, que neste início de ano está assim como que um “abalo” que só se sente por dentro, natural para quem ainda acerta a relação. Mas atenção, o alerta é sobretudo para aqueles que falaram e falam com o Dr. Lopes da Fonseca. O que está para trás, está para trás, não há nada a fazer, o que foi gravado já está. Mas a partir de hoje, muito cuidado com as (in) confidências que fazem ao senhor deputado, um dia destes vêm bater ao Parlamento com a respetiva gravação no bolso. Isto dá cá uma confiança…