Comando Operacional pretende melhorar infraestruturas e tecnologias, além da troca de informação com outras entidades

Fotos: Rui Marote

O Comandante Operacional da Madeira, contra-almirante Dores Aresta, promoveu hoje uma sessão informativa e um almoço com os jornalistas para divulgar as competências do COM e as transformações que serão aplicadas no mesmo, que “decorrem do facto de o COM da Madeira necessitar de se capacitar para desempenhar cabalmente as missões que lhe estão atribuídas”. Estas dividem-se, sublinhou, em três áreas fundamentais, que incluem a de carácter estritamente militar, a de apoio de emergência à protecção civil e a da salvaguarda de pessoas e bens.

O COM pretende transformar-se tecnológica e infraestruturalmente, principalmente no Centro de Operações. Isto para poder acolher novos equipamentos, novas fontes de informação, “para podermos acolher no seio representantes dos ramos das Forças Armadas que queiram estar presentes na condução das operações, assim como elementos do Serviço Regional de Protecção Civil ou das forças e serviços de segurança” ou outras agências.

A mudança visa proporcionar, disse Dores Aresta, “um panorama mais completo do que nos rodeia, quer em termos marítimos, quer aéreos, quer terrestres”. Um panorama que deve ser partilhado com outros Centros de Operações, nomeadamente com o Centro de Operações Conjunto e com o Centro de Operações do Comando Operacional dos Açores, e também com outros serviços regionais de Protecção Civil”. Tudo para que todos tenham acesso a uma visão global e comum e que permita conduzir melhor as necessárias missões.

Um dos problemas que mais afectam as Forças Armadas, admitiu Dores Aresta, é a falta de efectivos. Esse aspecto foi focado numa reunião com os jornalistas, na qual se esclareceu que as diferentes armas (Exército, Marinha e Força Aérea) estão a funcionar com percentagens reduzidas em relação à totalidade que seria necessária. Com o fim do serviço militar obrigatório, em 2004, as forças armadas foram redimensionadas de cerca de 350 mil militares para um máximo de 32 mil. Em 2019, tinham cerca de 26 mil militares, ou seja, cerca de 84% do que deviam ter. O ramo mais deficitário é o Exército, ao qual faltam cerca de 4 mil militares; à Marinha faltam hoje 700 e à Força Aérea, cerca de 400 efectivos. Estes são, no entanto, problemas comuns a todos os países aliados que têm este regime de semi-profissionalização das Forças Armadas, ou mesmo totalmente profissionalizadas.

O contra-almirante Dores Aresta salientou que haverá medidas para que as pessoas “achem mais apelativo prestar serviço nas FA” e sensibilizando jovens, mais próximos da idade de recrutamento, a nível concelhio, com a colaboração das câmaras municipais. No entanto, salientou que a Madeira é uma zona do país onde as dificuldades de recrutamento e de substituição de elementos que saem por outros que entram não se fazem sentir especialmente.

A utilização de drones para uma melhor vigilância do espaço costeiro e posteriormente marítimo da RAM, já anteriormente referida por Dores Aresta numa entrevista à comunicação social regional, será sobretudo conduzida por meios tecnológicos do Exército, sob coordenação do Estado Maior General das Forças Armadas, mas com a possível colaboração de estudantes da Universidade da Madeira.