A triste sorte da nossa terra

Na nossa terra vive-se um tempo curioso, tudo o que é pequeno faz-se grande e solene. Tudo o que é grande ou devia ser grande faz-se pequeno ou procura-se convenientemente e propositadamente fazer pequeno.

Tenho visto nomes a saltar em parangonas como os coitados dos cangurus na Austrália a saltar do fogo dos tristes incêndios que assolam aquela mártir parcela do mundo.

São nomes senhor, são nomes, que se pretende queimar ou simplesmente utilizar para fazer desviar atenções daquilo que malevolamente se pretende realizar. Não cola, não somos idiotas nem muito menos subsistimos sob a «sobedoria dos idotas». Façam melhor e não pensem que esquecemos que o trabalho sério e grande, deixa marca de bem quando é esforçado e condimentado pela seriedade.

Desejo que se revestisse de máxima grandeza entre nós a seriedade e a verdade das atitudes. Sonho com a medida de cada coisa e de cada realidade com a verdade que elas representam, sem jogos patéticos e absurdos. E também muito tristes.

Não aprecio nada, mesmo que o mereçam de ver gente com o seu nome jogado na implacável praça pública. Estão a serem deitadas fora pessoas à sua sorte como se fossem lixo ou objetos que se podem usar e abusar como instrumentos de jogos políticos e outros. E pior ainda para limpar imagens sujas de quem anda a fazer asneiras.

É preciso manter grande e solene o que é grande, certo. Mas, provavelmente, é preciso elevar à grandeza o respeito pelas pessoas, mesmo que tenham falhado. E deve ser preciso perdoar, integrar e incluir aquilo que nos custa, aquilo que requer de nós alguma dosagem de tolerância e compaixão.

Esta triste sorte que enferma a nossa terra, vem da mediocridade e da pequenez que nos reserva este tempo. Mas, pelo jeito do mundo, não deve ser surpresa nenhuma o que nos calha. Porém, embora à nossa medida, reconheço que temos mesmo assim, condições para sermos diferentes.


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