Tolentino Mendonça agradece medalha em carta ao Parlamento, distinção entregue a 23 de dezembro

Assembleia José Manuekl Rodrivfues 19 de novembro
José Manuel Rodrigues divulgou hoje aos deputados o conteúdo de uma carta enviada pelo Cardeal D. José Tolentino Mendonça. Foto Rui Marote
Tolentino mendonça
O Cardeal D. Tolentino Mendonça, agraciado pela Assembleia Regional a 23 de dezembro, preside às comemorações do 10 de junho, Dia de Portugal, que em 2020 terão lugar na Madeira.

O cardeal D. José Tolentino Mendonça, natural de Machico, vai receber a Medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira no dia 23 de dezembro de 2019, em sessão solene agendada para as 11 horas, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa da Madeira. Isso mesmo foi hoje anunciado na sessão parlamentar, onde o presidente José Manuel Rodrigues deu conta de uma carta do distinguido a agradecer a atribuição da medalha.

Na carta, Tolentino Mendonça regista com agrado e orgulho a atribuição da Medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira. O cardeal diz que “é para mim uma extraordinária honra o reconhecimento anunciado. Sinto-me muito pequeno perante o significado desta condecoração que receberei com a humilde consciência de que tantos outros dos nossos concidadãos provavelmente a mereciam mais do que eu, pelos seus feitos e pela sua dedicação à nossa terra. Orgulho-me muito de ser madeirense, mas sei – e esta condecoração só o reforça – que a dívida de gratidão está sobretudo do meu lado”.

Segundo uma nota do gabinete de comunicação do Parlamento, “atribuição da Medalha de Mérito pelo parlamento madeirense é o reconhecimento do percurso de vida do Cardeal, poeta e professor, nascido em dezembro de 1965, em Machico”, recordando que “José Tolentino Mendonça é autor de numerosos livros pelos quais ficou conhecido nos mais diversos quadrantes sociais. O madeirense, arquivista nos arquivos secretos do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, iniciou os estudos em Teologia em 1982 e foi ordenado padre em 1990. Estudou Ciências Bíblicas em Roma e foi professor e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, a instituição onde fez o doutoramento em Teologia Bíblica”.

D. José Tolentino Mendonça, que a 15 de dezembro faz 54 anos, é o segundo membro mais jovem do colégio cardinalício, após o cardeal de Bangui (República Centro-Africana), Dieudonné Nzapalainga, de 52 anos.

Entre funções eclesiásticas e académicas publicou numerosos livros nas áreas da poesia, ensaio e teatro e colaborou em outras obras como tradutor e organizador. José Tolentino Mendonça desde muito cedo valorizou a escrita e considera a poesia “a arte de resistir ao tempo”. Como autor, já recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae, para ensaio (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016), O Grande Prémio APE de Crónica (2016) e o Prémio Capri-San Michele (2017). Em 2015, foi um dos autores selecionados para os exames nacionais de Português.

A mesma nota lembra, ainda, que “o cardeal já foi agraciado com duas comendas, a comenda da Ordem do Infante D. Henrique e a comenda da Ordem Militar de Sant´Iago de Espada, a que junta agora a Medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira.

D. José Tolentino Mendonça é a sétima entidade a ser distinguida com a Medalha de Mérito. Já foi atribuída ao bispo D. Francisco Santana, em 1982, ao fundador do PSD Francisco Sá Carneiro em 1982, ao primeiro presidente do Governo Regional da Madeira Jaime Ornelas Camacho em 2001, ao primeiro presidente da Assembleia Legislativa da Madeira Emanuel Rodrigues em 2001, ao futebolista internacional português Cristiano Ronaldo em 2014 e a antigo presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim em 2018.

A medalha de mérito da Região Autónoma da Madeira destina-se a galardoar as entidades singulares ou coletivas, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, em vida ou a título póstumo, que tenham prestado assinaláveis serviços à Região ou que, por qualquer outro motivo, a Região entenda dever distinguir.