Eanes diz que “a corrupção é uma epidemia” e “o mérito foi substituído pela fidelidade partidária”

Novoa e Eanes
Ramalho Eanes, antigo Presidente da República, na imagem com Sampaio da Nóvoa, que foi candidato a Chefe de Estado.
joana marques vidal
Joana Marques Vidal, antiga Procuradora Geral da República, hoje conselheira do Tribunal Constitucional também abordou ontem a corrupção em Portugal.

Joana Marques Vidal, antiga Procuradora Geral da República e atual conselheira do Tribunal Constitucional. Ramalho Eanes, antigo Presidente da República. As duas figuras públicas têm em comum, neste momento, o facto de terem abordado o tema corrupção, em diferentes iniciativas públicas, respetivamente em Carcavelos e em Lisboa.

Os números são estrondosos quando se fala do valor da corrupção, cerca de 18 mil milhões de euros, qualquer coisa como 72 vezes o Orçamento para combate aos incêndios em Portugal. Um flagelo que fez com que Ramalho Eanes afirmasse que “a corrupção é uma “epidemia que grassa pela sociedade” e isso em parte deve-se não só a uma “cultura de complacência” mas também a um sistema partidário que escolheu a via do “encastelamento”, onde “o mérito foi substituído pela fidelidade partidária” e no qual “a administração pública foi colonizada” pelos partidos, sobretudo pelos do “arco do poder” (“PS e PSD, mas também ocasionalmente o CDS”, como vem expresso no DN Lisboa, por exemplo.

Eanes deixou a sua marca quando disse que “os deputados são mais delegados dos partidos do que representantes do eleitores”, além de considerar que  “não há uma crise da democracia nem do regime mas há uma crise da representação”.

Ramalho Eanes foi o 16.º presidente da República e o primeiro democraticamente eleito após a revolução de 1974.  Foi Chefe de Estado de julho de 76 a março de 86. Tem 84 anos de idade.

Já Joana Marques Vidal disse ser importante encarar a corrupção como um desígnio nacional, sendo que defende a existência de uma ação global, concertada, neste combate. “Todo o sistema democrático deveria estar empenhada nesse combate”, apontou.

“A questão da corrupção não é essencialmente dos tribunais, é muito importante que o poder político e os agentes partidários assumam a luta contra a corrupção como uma questão essencial tal como a transparência das contas públicas”