Tecto cancerígeno da lota do Funchal está a ser finalmente desmantelado

*Com Rui Marote
Está finalmente a ser retirado o amianto da lota situada na zona do antigo cais regional que servia os barcos cargueiros para o Porto Santo. A sua cobertura era, até hoje, totalmente de amianto, precisamente numa zona que recebia todo o pescado capturado nos mares da Madeira. As escolas têm vindo a ser expurgadas desta praga cancerígena, mas ainda existem muitos edifícios na RAM com este material cuja ligação à ocorrência de cancro está provada, demorando frequentemente anos ou mesmo décadas para manifestar-se a doença naqueles que a este material foram continuamente expostos e inalaram as suas fibras.

A objectiva atenta do repórter fotográfico do Funchal Notícias documentou hoje a acção de desmontagem da placas de amianto, nas quais o pessoal equipado a rigor colocava uma etiqueta assinalando o material de são constituídas, como um verdadeiro “aviso à navegação”. Os cuidados foram observados… Apenas com um reparo da nossa parte: o aparente supervisor da desmontagem assistia de janela sem protecção e os trabalhadores faziam uma pausa para o café às 10 horas, comendo uma “bucha” no local da desmontagem… Não há aqui um contra-senso? Tudo decorria sob os olhares atentos dos turistas que percorriam a pé o “calçadão” da marginal.

Há mais de trinta anos que este edifício foi construído naquela área, ficando desactivada a lota no Almirante Reis, para se dar continuidade à Avenida do Mar. Chegou-se a colocar a hipótese da transferência da lota para Câmara de Lobos, o que não veio a acontecer. Decorreu um período de impasse entre a APRAM, que administra os portos, e a Secretaria Regional da Agricultura e Pescas. Já em fim de mandato, chegou-se a uma conclusão. A lota neste momento está encerrada, sendo transferida provisoriamente para a zona das instalações do entreposto frigorífico, enquanto decorrem as obras em curso.

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