Bloco de Esquerda exige esclarecimentos sobre “volte-face” da ministra do Mar em relação ao ferry

O Bloco de Esquerda criticou a passagem pela Madeira da ministra do Mar, a qual, considera o dirigente Paulino Ascensão, deveria esclarecer os madeirenses sobre os motivos da sua mudança de atitude em relação à ligação ferry. “Durante muito tempo desdenhou da necessidade desta ligação, não lhe reconhecia utilidade pois a continuidade territorial estaria satisfeita em pleno pela via aérea.
Depois da adjudicação ao grupo Sousa do concurso promovido pelo Governo Regional para efectuar um pacote anual de 12 viagens por 3 milhões de Euros, tivemos um volte-face: a ministra do Mar passou a mostrar abertura para apoiar a ligação ferry, esteve presente em Portimão a 10 de Julho numa recepção oficial e visita ao navio, numa cerimónia para celebrar um acontecimento para o qual em nada contribuiu”, refere uma nota de imprensa do BE.
“Agora veio à Madeira reafirmar que o Governo central está a estudar as modalidades de apoio a esta ligação. O Bloco de Esquerda gostaria que esta mudança de posição fosse esclarecida e em que medida o facto de o grupo Sousa ter sido o escolhido pelo Governo Regional para explorar a ligação  contribuiu para tamanho volte-face”.
O Bloco diz que a ministra do Mar foi confrontada em vários momentos sobre a ligação ferry pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República, mostrando “total desinteresse” pela ligação, e pelos “obstáculos artificiais criados pelo Governo Regional e que levaram ao fim da operação da Naviera Armas em 20112. Usou nas suas respostas, dizem os bloquistas, os mesmos argumentos do Governo Regional e do grupo Sousa, da fraca sustentabilidade da ligação e da concorrência desleal que o ferry teria feito aos porta-contentores.
A ministra veio participar num evento do PS sobre a economia do mar, algo que é tão fundamental para a Madeira e neste âmbito o que os madeirenses aguardam são mudanças com a herança do PSD: o fim do monopólio na exploração do porto do Caniçal e no transporte marítimo de mercadorias, constata o BE. Mas “os sinais que vemos do PS não são de mudança, mas sim de continuidade da mesma política do PSD de subserviência aos interesses privados (…)”.
Já nas ligações aéreas para a Madeira “vemos o PS a exigir maior concorrência, mas nas ligações marítimas não vemos essa exigência, o PS não vê necessidade de concorrência no transporte de carga (…)”, critica o Bloco.