Capela da Boa Viagem reabre sexta-feira como núcleo cultural

A Capela da Boa Viagem, no coração da Zona Velha do Funchal, reabre ao público esta sexta-feira, dia 7 de setembro, como um novo pólo cultural, depois de concluída a sua requalificação pela Câmara Municipal do Funchal.

Trata-se de um espaço que, desde há muitos anos, passava despercebido à maioria dos residentes e àqueles que visitam a cidade, mesmo após a extensa revitalização daquela zona, decorrida ao longo das últimas duas décadas. Ponto de passagem quase obrigatória da Rua de Santa Maria, ainda que nunca de paragem, a vontade da Autarquia é tornar a Capela da Boa Viagem num espaço cultural intimista, para acolher concertos, exposições artísticas ou tertúlias culturais.

Para já, a capela reabre com um calendário cultural anual, fortemente orientado para o canto coral e tradicional. A reabertura oficial tem lugar esta sexta-feira, pelas 19h. O primeiro concerto decorre uma semana depois, a 14 de setembro, com a atuação do Coro de Câmara da Madeira.

Encerrada ao culto no primeiro quartel do século XX, a Capela da Boa Viagem foi entregue à época ao Município, tendo sido usada, em tempos, como local de exposição de diversas obras, ainda que, nos últimos largos anos, esta não fosse potenciada de forma ativa. Atualmente, o interior da capela conserva, ainda assim, painéis da autoria de Henrique Franco, celebrado pintor madeirense, cujo espólio constitui o museu municipal homónimo.

Paulo Cafôfo considera que a Capela da Boa Viagem “tem tudo para ser uma jóia da coroa da Rua de Santa Maria, pelo seu passado e pelo seu enquadramento deveras carismático a todos os níveis. Seguindo a linha do trabalho que temos feito, quer em termos de valorização do património municipal, como de dinamização da economia local e de democratização do acesso à cultura, queremos fazer deste ponto nevrálgico um novo núcleo artístico e cultural para a Zona Velha da cidade, onde autores locais se sintam tão seduzidos como nós a produzir e a apresentar os seus trabalhos ali mesmo, naquela pequena sala que já atravessou cinco séculos, em pleno coração da cidade.”

Teve lugar, na capela, uma reabilitação integral do interior e uma recuperação exterior, incluindo reparação de fechaduras, reinstalação de toda a estrutura elétrica, instalação de mobiliário simples e intervenções nas paredes, telhado, fachada, portas e janelas, potenciando a sua reabertura definitiva com as devidas condições e com um programa de iniciativas adequadas àquele espaço.