Festa da Uva e do Agricultor registou animação razoável e teve Albuquerque no Porto da Cruz… mas houve pouca uva este ano

Fotos: Rui Marote

O Porto da Cruz encheu-se hoje de animação, no âmbito da Festa da Uva e do Agricultor, certame incluído nas festividades das vindimas na Região que o Governo Regional designa, essencialmente, por Festas do Vinho Madeira.

Eram várias as barracas do arraial alusivo, incluindo as de representação das entidades governamentais, promovendo a etnografia madeirense nas suas diversas vertentes, e também desportos de natureza que muito têm contribuído para levar o nome da ilha além fronteiras, como por exemplo o trail running.

Durante a tarde, enquanto muita gente desfrutava do bom tempo que convidava a usufruir da praia e das piscinas, apreciando simultaneamente as belezas naturais da localidade, e os amantes do parapente gozavam das correntes ascendentes nas proximidades do sítio do Larano, descrevendo lentos círculos no ar com as suas “asas” multicolores, já os ensaios de som para o arraial da noite se faziam ouvir, no palco instalado à beira-mar. Nos múltiplos stands cortava-se a carne, preparavam os comes e bebes, serviam as primeiras cervejas, copos de vinho, ponchas, bolos do caco, pão com chouriço.

A movimentação começava pouco a pouco a preparar-se. Adivinhava-se, ao princípio da noite, a afluência que se verificaria – e efectivamente veio a verificar-se, contando com uma já significativa afluência de público e, inclusive, com a presença de personalidades como o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, e do secretário regional da Agricultura e Pescas, Humberto Vasconcelos.

Porém, apesar dos aspectos positivos da Festa e da mais-valia que representou também para os vários visitantes estrangeiros que encontrámos na localidade, algo fazia-se notar pela ausência, ou, pelo menos, pela pouco significativa quantidade. E esse algo era precisamente a “estrela” da festa, ou seja, esse produto essencial à confecção de vinho, conhecido como Uva.

Bem indagámos, por entre os comerciantes, produtores e agricultores: mas não há mais uva? A resposta, essa, não podia ser mais pragmática: “Haver há, senhor… Só que não amadureceu”.

De facto, todos aqueles com que, conversámos nos disseram a mesma coisa: a produção da uva foi prejudicada pelas condições meteorológicas adversas, nomeadamente pelo frio que se fez sentir e que não ajudou ao seu amadurecimento. A safra da maior quantidade está prevista para meados de Setembro, princípios de Outubro, informaram-nos. Ironicamente, em alguns cafés, os populares gozavam: “Hão-de fazer a festa da Uva, nem que as mesmas tenham de vir do Funchal”.

A presença do báquico fruto era de facto bastante escassa, para não dizer mesmo algo embaraçosa, num certame subordinado à sua temática. Porém, nem por isso deixou de realizar-se um cortejo alusivo, por volta das 20h30, após a visita que Albuquerque e demais entidades efectuaram  aos stands e barraquinhas situados na frente de mar p Porto da Cruz. Às 19 horas, a Banda Filarmónica do Faial tocava no centro engalanado para o típico arraial, chamando mais e mais gente que circulava na zona e ajudava a movimentar os negócios. “Apesar da escassez de uva, esperamos uma afluência razoável de público”, confessavam-nos os comerciantes. Algo que, efectivamente, veio a verificar-se. A Banda circulava entre a praia da Alagoa e a zona do centro da vila, proporcionando alegria aos festeiros e convivas.

Com a chegada do presidente do Governo e demais entidades, o cenário adquiriu um  novo colorido. Albuquerque procurou reeditar um pouco do frenesim que existia nestas festividades no tempo dos governos de Jardim, mas a verdade é que hoje já não há festas tão inflamadas não só pelo teor etílico, mas pelo fervor quase norte-coreano dos cultos ao grande líder. De qualquer forma, as ambições do governante eram, assumidamente, mais modestas.

“Vim aqui para valorizar e potenciar este evento, que já está sobejamente inserido nas festas do Vinho e da Vindima”, disse. “O Porto da Cruz é hoje uma terra que tem uma grande atractividade turística. Não só pelas suas características de beleza natural, mas também pelas suas características patrimoniais únicas”.

Para Albuquerque, exemplo disso são, nomeadamente, os engenhos, “que atraem milhares e milhares de turistas por ano ao Porto da Cruz”.

O chefe do Executivo madeirense referiu ainda a importância de que se reveste o crescimento do alojamento turístico, associado também (mas não só) à prática do surf.

“O Porto da Cruz é das melhores zonas da Madeira para a prática do surf”, declarou. “Há já um conjunto de pequenas unidades hoteleiras ligadas a esta qualidade, aonde acorrem muitos surfistas internacionais”, dado que esta localidade “tem determinadas características que são muito atractivas”.

“A minha ideia”, confessou Miguel Albuquerque, “é valorizar esta festa. Desde o início que pretendemos descentralizar a Festa do Vinho”, realizando eventos distribuídos pelo Funchal, pelo Estreito e Porto da Cruz, entre outras localidades. “Através da minha presença quero marcar que este é um compromisso do meu governo, para continuarmos”.

Referindo-se à escassez da uva, que foi notória inclusive no desfile alegórico que se realizou à noite, o presidente referiu: “A informação que temos é que este ano teremos menos quantidade de uva, devido às circunstâncias climatéricas, mas dizem que a qualidade é melhor. Espero que isso se confirme”.