Tema do pastoreio suscitou debate e presença de criadores de gado no parlamento regional

Fotos: DR

O tema do regresso ou não do gado às serras da Madeira, que tem sido recorrentemente suscitado nos últimos tempos por várias forças políticas, claramente na mira das eleições de 2019, e que tem gerado reacções e contra-reacções, esteve hoje novamente a ser falado na Assembleia Legislativa Regional. Tudo por causa do debate potestativo que o JPP levou à “casa da democracia” madeirense, numa tentativa de clarificar definitivamente qual a posição do Governo Regional e dos diversos partidos na matéria.

O JPP, pela voz do deputado Rafael Nunes, foi arauto de uma nova corrente de pensamento que muito tem dado que falar, defendendo não um pastoreio praticado de forma desordenada, mas com determinadas regras, e entendendo que há benefícios a tirar de um regime de silvopastorícia para evitar, por exemplo, determinadas ocorrências catastróficas nas serras da Madeira, como os incêndios. Uma perspectiva que não é partilhada não só pelo Governo Regional, mas por vários ecologistas e ambientalistas, dos quais talvez o mais destacado seja Raimundo Quintal. O geógrafo e antigo vereador com o pelouro do Ambiente na Câmara Municipal do Funchal tem-se indignado pelo modo como um assunto que já parecia mais que comprovado tem vindo novamente a público, atribuindo este interesse dos partidos no regresso do gado às serras a motivos claramente políticos.

Susana Prada, actual responsável pela pasta do Ambiente no Executivo madeirense, entende que pastoreio ordenado é aquele que actualmente existe na Madeira, sendo frontalmente contra o regresso do mesmo às montanhas da cordilheira central da ilha da Madeira.

O debate acalorado levou até à bancada da assistência do parlamento madeirense um grupo de criadores de gado, entre os quais se encontrava o ex-deputado socialista Duarte Caldeira. Recorde-se que o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, apoiado por uma coligação de partidos encabeçada pelo PS, se tem manifestado cada vez mais favorável ao regresso do gado às serras, inclusive das zonas do Funchal.