Drama ADSE: Três meses para enviar documentos e mais três ou quatro para ter reembolso na conta

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Envio dos documentos depositados nos serviços dos reembolsos para Lisboa está a demorar três meses. Mais três ou quatro para vir o reembolso. Dizem os beneficiários com base em informações dos serviços.

Os beneficiários do subsistema de Saúde ADSE estão desesperados com o tempo de espera para receberem os respetivos reembolsos, uma situação que vem acontecendo cada vez com maior incidência, sendo que neste momento, como apontam vários relatos de utentes, “está ainda pior”.

De facto, embora as alternativas colocadas pela secretaria regional da Saúde, através do IASAÚDE, tenham sido melhoradas ao nível da entrega da documentação, no sentido de evitar as longas esperas, que mesmo assim continuam a acontecer devido ao facto de ainda não existir uma alargada adesão a esses meios alternativos de entrega, a verdade é que, do ponto de vista da receção dos reembolsos, a situação chega a ser dramática para muitos, sobretudo aqueles com menores capacidades económicas para poderem esperar tanto tempo.

Ainda de acordo com vários relatos que chegaram ao Funchal Notícias no início da semana, nem o depósito no balcão existente nos serviços, em que o utente preenche o formulário de entrega e deposita em envelope, nem tão pouco os serviços online, constituem vantagens além do facto de evitar o tempo de espera.

De facto, alguns utentes já reclamaram, mas a realidade aponta para que o envio dessa mesma documentação, por parte da Região, esteja a demorar cerca de três meses, segundo informações obtidas pelos beneficiários junto dos serviços, situação que se agrava com mais três ou quatro meses de espera para a receção dos respetivos reembolsos, totalizando por vezes os 7 meses de espera, o que para muitas pessoas é demasiado tempo para adiantarem o dinheiro, por vezes quantias elevadas, dependendo dos serviços de saúde que são prestados.

Esta realidade, dizem-nos, está provocar indignação por parte de muitos beneficiários e algum desconforto até dos próprios serviços, cuja resposta tem sido, invariavelmente a mesma, até que seja encontrada uma solução que ponha termo a esta realidade.

O ADSE, Instituto de Proteção e Assistência na Doença, I.P. é um instituto público de regime especial e de gestão participada, integrado na administração indireta do Estado, com dupla tutela do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças, dotado de autonomia administrativa e financeira e património próprio. Abrange trabalhadores com relação jurídica de emprego público da administração central, regional e local, familiares diretos e Aposentados que não sejam abrangidos por qualquer outro sistema de saúde integrado na Administração Pública.

O Funchal Notícias colocou todas estas situações e dúvidas à secretaria da tutela, a da Saúde, na manhã de ontem, quinta-feira, sendo que até ao momento não conseguimos obter qualquer resposta sobre o sucedido, o que faremos assim que nos for facultada qualquer informação deste caso de manifesto interesse público.

Recorde-se que a Região tem manifestado, junto das instituições nacionais responsáveis pelo setor, o seu descontentamento pela realidade. Recentemente, a 3 de abril, o secretário regional da Saúde reuniu com o então presidente do ADSE, Carlos Batista, declarando depois que “os utentes do sistema de Saúde ADSE, na Região, não serão obrigados a adiantarem verbas para depois serem reembolsados”.

Essa mesma informação dava conta que o ADSE vai tentar aumentar o número de entidades privadas abrangidas pela Convenção. Com Pedro Ramos a anunciar que “vamos alterar o regime convencionado para que os utentes da Madeira sejam tratados de igual forma como são os utentes do restante território nacional, não tendo que pagar adiantado para depois serem reembolsados”.

Também o PSD e o CDS/PP vieram já a público manifestar descontentamento pela forma como os beneficiários madeirenses estão a ser tratados. Os centristas, através de Lopes da Fonseca, Rui Barreto e Mário Pereira, o PSD com uma reunião dos deputados na Assembleia da República com o responsável do Instituto.