Marcelo diz que o futebol não pode estar à margem do Estado democrático e lembra que “somos bons a fazer de conta”

Marcelo
O Presidente da República acaba de falar sobre os acontecimentos de Alcochete, dizendo que, em Portugal, “não pode haver dois Portugais”.

O Presidente da República foi “duro” nas declarações prestadas há pouco, relativamente aos acontecimentos de Alcochete, com agressões a jogadores e treinadores do Sporting, que levou à detenção de pelo menos 21 pessoas do grupo que irrompeu na Academia de rosto tapado, com paus, ferros e facas.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que. ontem, teve um sentimento de “alguém que se sente vexado pela imagem de Portugal projetada no mundo. E as reações que tive de fora, infelizmente, foram nesse sentido, foram reações graves que não podemos normalizar ou banalizar, sob pena de permitirmos escaladas, que são más para o desporto português e são más para a sociedade portuguesa no seu todo”.

Para o Chefe de Estado “esta atuação coletiva não é uma realidade isolada, como nunca é a atividade criminosa, tem um contexto que conhecemos bem, que é o aumento da violência no desporto português, sobretudo no futebol porfissional, que já motivou reações várias por responsáveis do setor, do Governo e até um debate na Assembleia da República”.

E é aqui que Marcelo faz a declaração resultante da análise do problema: “Em Portugal, não pode haver dois portugais, um que é Estado de direito democrático e outro que vive à margem desse direito democrático, quer seja no desporto, quer seja noutra área qualquer. Há uma Constituição, há leis, tenho dito em vários domínios da vida portuguesa, agora é pelo futebol, que é importante ter a noção do que é fundamental perceber que o climna criado ao longo dos tempos, debatido no Parlamento, não pode nem deve continuar, sob pena de uma escalada que vai destruir o desporto português, que vai empobrecer a sociedade portuguesa”.

Marcelo não avança som medidas, porque não está na esfera das suas funções, remetendo para as investigações das entidades judiciais, os resultados que irão conduzir a uma decisão. Mas vai avisando que “não podemos fazer de conta. Somos muito bons a fazer de conta, mas não podemos”