Jornalistas vêm dependendo cada vez mais de fontes oficiais especialmente de natureza política, alerta o presidente do Sindicato na Madeira

antónio macedo
António Macedo Ferreira alerta para os novos perigos da profissão de jornalista e alerta os profissionais.

A Direção da Madeira do Sindicato dos Jornalistas abordou hoje, em comunicado e num enquadramento da passagem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a situação relacionada com o exercício da profissão em meios pequenos, como por exemplo o da Região.

Numa nota assinada pelo presidente da DRM, António Macedo Ferreira, este refere que “em mercados pequenos onde a luta pela receita publicitária é muito forte nem sempre se torna clara a diferença da notícia da ‘publicidade’. Cabe a cada um de nós, jornalistas, discernir estas realidades ambas necessárias para a sobrevivência das empresas, sem, contudo, colocar em causa a credibilidade profissional do jornalista. Aqui importa referir a necessidade de promover a transparência nas relações entre empresas de comunicação social, instituições públicas, companhias privadas”.

Neste cenário empresarial, diz, “as condições de trabalho do jornalista ficam comprometidas. A precariedade no sector é comum, com consequências nefastas na independência do jornalista que nos últimos anos vem dependendo, cada vez mais, de fontes oficiais, especialmente de natureza política”.

Para o jornalista, a passagem deste dia mundial da liberdade de imprensa remete-nos, a nós jornalistas, “para uma reflexão sobre o valor e a importância da nossa profissão num Estado de direito, numa democracia moderna”, apontando todos os problemas hoje existentes, aos quais se acrescenta “a perda de memória das redações, que impedem a transmissão dos valores do jornalismo, a inexistência de uma cultura de classe profissional que afirme diariamente a importância do jornalismo livre como valor democrático e a crescente falta de ‘conexão’ com os reais interesses informativos da população, o futuro do jornalismo não trará nada de bom”.