Comissão regional do BE reconhece “dignidade” na renúncia ao mandato de Paulino Ascenção

A Comissão Regional do Bloco de Esquerda reuniu com críticas ao Governo Regional.

Realizou-se ontem a reunião da Comissão Regional do Bloco de Esquerda (BE) que aprovou a seguinte declaração política:

1 – O Governo Regional de Albuquerque completou três anos de inação, de promessas adiadas, de experimentalismo e de total subserviência aos poderosos . Protegeu os interesses privados contra o interesse público: ao renovar a concessão do CINM; ao preservar o monopólio nos portos; ao não trazer de volta o ferry como prometeu; ao renegociar as parcerias publico-privadas rodoviárias com maiores vantagens para os privados. Subitamente encontrou milhões para fazer obras que não são prioridade, enquanto os investimentos urgentes na saúde são sempre adiados – estamos de novo no caminho da bancarrota e da ocultação de dívida, como o revela a exigência publica dum empreiteiro de milhões ao Município de Câmara de Lobos. Em vez de resolver os problemas do povo, de assumir responsabilidades, remete para Lisboa – é um governo que não governa, que só reclama e faz “show-off”. Não resolve os problemas, mas distribui cheques de forma avulsa e sem critério, por agricultores, bordadeiras e cuidadores domiciliários, numa descarada tentativa de comprar votos.

 
2 – Falar de alterações às regras eleitorais, alegando problemas de governabilidade, numa região que é governada em maioria absoluta há 40 anos é anedótico e revela o grau de desespero que vai no PSD-Madeira pela perspetiva de perder o poder. É uma tentativa de ganhar o jogo na secretaria. Não há um problema de governabilidade na Madeira, como o atestam as sucessivas maiorias absolutas na história da Autonomia regional, há um problema de falta de competência do Governo Regional e de completa inversão de prioridades.
 
3 – O Presidente do Governo Regional afirma que os madeirenses nunca viajaram tanto nem a tão baixos preços. Ou vive numa realidade virtual, ou não sabe ler as estatísticas: os madeirenses pagam muito mais que os 86 euros previstos pela subsídio de mobilidade, o preço das viagens ultrapassa a barreira dos 400 euros com frequência o que faz com o custo final para os residentes seja mais alto que no anterior modelo de subsídio de mobilidade.
 
4 – A Comissão Coordenadora Regional reconhece dignidade na decisão de renuncia ao mandato de deputado na Assembleia da República e o desapego ao anunciar a devolução dos montantes recebidos do subsídio de mobilidade, por parte do coordenador regional e mantém plena confiança para continuar a coordenar o partido. 
A Comissão Regional esclarece que a eventualidade de renúncia ao mandato de deputado à Assembleia da República, por parte do coordenador regional, nunca tinha sido discutida no seu âmbito.