Saturnino Sousa explica renúncia ao mandato: “Fui eleito para defender a população de Santa Cruz e não para servir de palhaço”

Foto facebook Saturnino Sousa.

“Não sou político. Nunca fui. Não preciso da política para viver. Nunca precisei. E só aceitei integrar as listas do PSD porque acreditava e confiava nas pessoas que me convidaram, e porque achei que podia dar o meu contributo para melhorar a qualidade de vida das pessoas do MEU concelho. Sempre como independente, porque apesar de me identificar mais com os ideais da social-democracia, sempre quis ser livre nas minhas ideias e nas minhas ações.
Os resultados eleitorais em 2013 e em 2017 ditaram a vitoria do JPP. Foi a vontade do povo, expressa de forma livre e democrática (tal como em todas as eleições anteriores no pós-abril) e por números claros e expressivos. Entrou-se assim num novo ciclo, na tal “forma diferente de fazer política” tantas vezes apregoada, mas pelos vistos nem sempre praticada.
A maioria dá direitos, mas também responsabilidades.
Até porque todos os eleitos, sejam eles de que partido forem, foram escolhidos pela população do concelho que neles confia para defender os seus interesses e fazer ouvir a sua voz.
Quando se aproveita uma maioria para achincalhar e gozar das minorias algo está mal. E nem o “dizemos e fazemos porque antes também diziam e faziam” serve de argumento.
A Assembleia Municipal não pertence ao JPP, ao presidente Filipe Sousa, ou a outra pessoa qualquer. Pertence a todos os santa-cruzenses, e por isso mesmo tem de ser um local de debate político, de troca de argumentos, mas acima de tudo de respeito por todos os presentes.
Por isso mesmo abdico do meu mandato. Com um pedido de desculpa às pessoas que me elegeram, pois não fico até ao fim, mas como forma de deixar bem claro que não posso ser conivente com este tipo de comportamento.
Talvez esta “forma diferente de fazer política”, agrade a meia duzia e tenha os aplausos de outra meia dúzia, mas não foi para isto que fui eleito.
Fui eleito para defender a população de Santa Cruz e não para servir de palhaço no circo montado por alguns que se julgam donos do concelho.”