Crónica de viagem: Adeus à Etiópia

Missão superada…! Já no interior do avião da Etiopia Air lines com destino a Frankfurt e de regresso à ilha, vou escrevinhando alguns parágrafos de balanço sobre a minha permanência no país alcunhado dos “esqueléticos”.
Quando falei aos meus amigos desta viagem, os mesmos  exclamavam … Credo !!! Que escolha, o que vais fazer aí? Não é aquele país das pessoas muito magrinhas que surgiam na TV?…
Edifício da União das Nações Africanas em Adis Abeba
Todos esse mistérios já foram decifrados nas quatro reportagens publicadas.
A Etiópia é um país fascinante. Aqui a globalização ainda não chegou, e os seres humanos realizam com prazer o que melhor sabem fazer.
È saúdavel reflectir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios como “devagar se vai ao longe” merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada?
Muitos vivem a correr atrás do tempo .Os etíopes correm por prazer, e são os melhores maratonistas  do mundo. Outros estão ansiosos para viverem o futuro e esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.

O tempo é o mesmo para todos, ninguém tem mais nem menos de 24 horas por dia. A diferença está no que cada um faz do seu tempo.
Temos de aproveitar cada momento, porque como disse John Lennon “A vida é aquilo que acontece enquanto planeamos o futuro”. Com a revista de bordo na mão, desfolhei as ultimas páginas em busca do mapa mundo… Faço uma pausa, e a hospedeira muito amável, pergunta: tinto ou branco?
Mas o meu pensamento já está concentrado em planear a minha futura viagem. Como a sorte protege os audazes, já decidi: Iraque, Irão ou Damasco, na Síria, serão os meus futuros destinos.
Acabei de deixar a nação onde o Apostólo Mateus evangelizou e foi martirizado (capitulo 24:22) O versículo é : “Se aqueles dias fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias”.

Cheguei com Deus e saio com Deus.
Não vim armado em Indiana Jones na caça ao tesouro. Mas tudo o que planeei foi concretizado, inclusive uma visita aos lugares do mistério. Para a Igreja Ortodoxa Etíope, a Arca da Aliança foi levada à Etiópia por Menelik, filho do rei Salomão e Makeda, e a Rainha do Sabá.
Estive na igreja de Santa Maria de Sião da cidade Axum, no norte da Etiópia, numa capela onde supostamente a Arca só poder vista por um único sacerdote. A narrativa dessa tradição etíope encontra-se no Kebra Negast, o Livro da Glória  dos Reis da Etiópia. Tem sido um dos tesouros arqueológicos mais cobiçados pela humanidade em inúmeras expedições, desde a Mesopotâmia á Palestina, mas sem sucesso algum.

Não vi a Arca da Aliança  e as Tábuas da Lei deixadas a Moisés que os Etiopes dizem possuir. Não há a certeza da sua existência ou destruição. Mas creio e a minha Fé não foi beliscada, antes enriquecida pelas celebrações da Semana Santa a que assistir.
Entretanto, o jantar começa a ser servido a mais de 40 mil pés de altitude, já em rota de cruzeiro. Até uma próxima crónica de viagem!