Edifício Casais da Quinta construído com menos pilares, Câmara de Santa Cruz já enviou parecer do LREC à IHM

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Os trabalhos de avaliação do LREC ao edifício Casais da Quinta concluem que houve diminuição do número de pilares.

O relatório elaborado pelo Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) é claro quanto aos problemas de construção do edifício Casais da Quinta, na Cancela, que começou a provocar fissuras nos apartamentos, situação que levou os moradores a uma exposição à Câmara de Santa Cruz, que por sua vez solicitou uma avaliação técnica ao LREC depois dos seus próprios técnicos terem concluído que existiam anomalias no prédio.

O parecer diz que “foi feito o levantamento da estrutura resistente, sendo diferente da existente na Câmara de Santa Cruz. As alterações foram a diminuição do número de pilares e a modificação da secção de vigas, com o incremento na altura da secção destas”.

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Esta placa indica as empresas responsáveis pela obra.
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Imagem captada pelos técnicos do LREC.

O relatório do LREC já foi enviado à Investimentos Habitacionais, que “patrocinou” a construção do edifício, a custos controlados, ao condomínio e a todos os proprietários das fracções “a fim de serem executadas as obras de conservação nos termos das recomendações do LREC”. O edifício é designado por quatro blocos, tem 11 frações de comércio e 112 frações habitacionais. Tem seis pisos, sendo um de estacionamento, um destinado ao comércio e também estacionamento e os restantes a habitação, com licença de utilização de 2005.

Esta avaliação envolveu, ainda, a visita a diversas frações, sendo que em matéria de recomendações o LREC tenha referido que “o edifício não apresenta sinais de instabilidade da sua estrutura resistente”, não obstante salientar, por outro lado, que “não foi possível efetuar uma comparação das armaduras existentes nem foram detetadas/observadas anomalias relacionadas com a falta de resistência dos seus elementos estruturais”.

Relativamente à fissuração existente,”constata-se que “a causa  das fissuras nas paredes aponta para as deformações dos elementos de suporte das mesmas, ou seja lajes e vigas”. Diz ainda o LREC que “devido ao tempo decorrido desde a sua construção, estas deformações estão estabilizadas atendendo à idade do betão, pelo que recomenda-se que seja efetuado o tratamento das fissuras existentes em todas as fracções habitacionais incluindo as fissuras das paredes dos alçados, nomeadamente o alçado sul que apresenta sinais de infiltrações”.

No documento do Laboratório Regional de Engenharia Civil, pode ler-se, também, que com o tratamento das fissuras, a opinião é a de que “os problemas de fissuração nas fracções estariam ultrapassados”, embora admitindo, mais à frente, que podem surgir pequenas fissuras posteriores causadas pela “vibração das lajes, com origem na ação dinâmica de pessoas”, defendendo que “uma maneira de reduzir a vibração das lajes é o aumento a sua rigidez”, que no entanto “não será fácil de executar quer por razões arquitectónicas, quer funcionais”.

O relatório aponta, na sua apreciação final, que “após a execução dos trabalhos nas diversas frações, deverá ser efetuada uma observação ao longo do tempo aos elementos resistentes da estrutura do edifício, com particular incidência dos elementos resistente do primeiro piso habitacional, principalmente as lajes e vigas deste piso, ou seja do teto localizado sobre os estacionamentos”.