Miradouro do Pico dos Barcelos, uma paisagem “desgraçada”…

Rui Marote
Fui contemplar uma vista que já não via há algum tempo, a vista a partir do Pico dos Barcelos. Dali pode-se olhar o anfiteatro natural do Funchal: de um lado o mar que banha a costa sul da Ilha da Madeira, do outro as montanhas. Assim é a panorâmica com que os olhos se podem maravilhar: grandiosa e memorável. Tirando a “desgraça” que hoje abordamos. Mas já lá vamos.
Este observatório situa-se a 355 metros de altitude. Foi construído em 1950, entregue a  Miguel Simões Jacobetty  Rosa, na altura que a antiga Delegação de Turismo da Madeira estava sob direcção  do prof. José Rafael Basto Machado. Na década de 1960, o local voltou a ter melhoramentos, bem como tal como mais recentemente.
Este é um ponto obrigatório de passagem para quem visita a Madeira. E são muitos os visitantes que passam por ali.
A 21 de Março de 1985, o duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabete II, visitou a Madeira e esteve no Miradouro do Pico dos Barcelos, acompanhado por João Carlos Abreu que na altura exercia as funções
de seretário regional do Turismo e Cultura. Isto foi antes de uma visita à Quinta Magnólia, onde se encontrou com a comunidade britânica. Recordo a cobertura desta visita, ao serviço do DN Madeira e as medidas de segurança impostas pelo comandante da PSP Nuno Homem Costa desde o cais do Funchal onde se afectou o desembarque (mas isso é outra história).
O Pico dos Barcelos foi alvo de uma limpeza aos arredores a pente fino pela CMF, por se encontrar  acumulado de lixo.
Nos dias de hoje continua porém a paisagem “desgraçada”, não de lixo mas de outro cenário (ver fotos), já lá vão cerca de três décadas.
Quem está virado para Este, tem aos seus pés edifícios que outrora foram restaurantes (Luna Park) em ruína total. Uma verdadeira faixa de Gaza que se eterniza  sem solução à vista. Nem Câmara nem Governo resolvem este  problema. Sugerimos expropriar… demolir… e remover todo aquele entulho fica aqui o nosso alerta.
Cuidado “não matem a galinha dos ovos de ouro” do turismo ao extrair todos os benefícios de uma só vez. Tenham atenção à preservação da paisagem e do património.
A caminho dos 81 anos continuo a abraçar a profissão que amo. Era fácil arrumar a máquina fotográfica ou desligar a câmara fotográfica do telemóvel e desfrutar das coisas boas que Deus criou. Porém sinto-me obrigado a alertar para coisas como esta. Defino-me como um fotojornalista de denúncia, que documenta realidades sociais, políticas ou ambientais severas com o objectivo de expor injustiças ou abusos. O meu trabalho serve para “dar voz a quem
não tem”, obrigando a quem de direito (autoridades e sociedade) a agir. Uso a força visual da fotografia para despertar consciências e promover mudanças.
Para isso tenho um compromisso inabalável com a verdade e a precisão documental. A isto chamo ética.
Perante a realidade que vemos é difícil calar.. A propósito, em boa hora, o Funchal Noticias criou uma secção intitulada “Estepilha” que em falares da ilha significa um termo que exprime admiração ou espanto. E digo, mesmo a propósito: Estepilha! Acabei de verificar que no concurso das Novas 7 Maravilhas de Portugal não existe uma candidatura de paisagem (miradouros). Assim seja… Senão seria outra candidatura de um espaço degradado na Madeira, como a da Fortaleza de São Tiago…
Como fotojornalista de denúncia vou continuar a basear-me no olhar crítico, na presença no terreno e nos alertas, sem medos…

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