PS-M diz-se preocupado com quebras no turismo e diz que aumento de 700 mil euros na promoção não chega

Foto Rui Marote

O PS-Madeira considerou hoje preocupantes os últimos dados do sector turístico na Região, tendo chegado à conclusão que o Governo Regional não preparou medidas que acautelassem os problemas decorrentes da desvalorização da libra, do Brexit, ou da falência de companhias aéreas.

“Não percebemos como é que o Governo se diz surpreendido com reduções de 25% e de 15% nos mercados alemão e inglês, no mês de Janeiro, quando em Dezembro já houve uma quebra substancial nesses dois mercados fundamentais para o turismo na Região”, dizem os socialistas. “Sem qualquer capacidade de antecipação, o Governo Regional diminui o orçamento da APM, tendo em modo de contingência injectado mais 700 mil euros, que só terão execução no segundo semestre”.

Por outro lado, também já em Fevereiro registaram-se novamente quebras. Ora, o mercado alemão e britânico representam metade das dormidas na Madeira.

Diz o PS-M que o presidente do Governo Regional “afirma que compensámos com o mercado nacional e francês, mas isso é simplesmente uma mentira porque esses dois mercados representam respectivamente 11,5% e 4,5% das dormidas na Região. É impossível compensarem as quebras na Alemanha e Reino Unido”, salienta-se num comunicado de imprensa.

O PS-M verifica que a Air Berlin pediu insolvência em Agosto de 2017 e a Monarch no ínicio de Outubro, mas os seus lugares estão a ser assumidos por outras empresas de aviação, portanto há algo de estruturante a acontecer que não passa apenas pela questão das companhias aéreas.

“Embora o RevPar e os proveitos do sector tenham crescido, há vários indicadores que deveriam obrigar a medidas de fundo, de modo a acautelar o curto e médio prazo do sector, que voltou a ter concorrência forte dos destinos mediterrânicos”, observam os socialistas.

Conforme se pode observar na publicação da Direção Regional de Estatística sobre o estado do turismo na Região, já em Dezembro o número de dormidas desceu em termos homólogos (-0,3%), enquanto que no conjunto do País houve um aumento de 9,8%. A Região é a única em contraciclo, sendo que representa 15% das dormidas ocorridas no território nacional.

Também a estadia média em 2017 na Região diminuiu em relação a 2016, passando de 5,4 noites para 5,23.

A taxa de ocupação-cama aumentou apenas 0,5%.

A questão da redução da estadia média é considerada pelo PS-M alarmante, pois basicamente significa que a Região necessita de mais turistas para compensar a redução na estadia, com os custos associados na promoção. Tendo em conta os constrangimentos no aeroporto, que condicionam cada vez mais o sector, esta variável torna-se ainda mais relevante.

“Torna-se necessário, além da promoção no exterior, aumentar e melhorar os eventos turísticos e culturais na Região, bem como melhorar as condições dos locais de referência para o turismo de natureza. Há cada vez mais queixas sobre a falta de manutenção dos trilhos, da falta de sinalética, e falta de segurança. O Partido Socialista – Madeira continuará a acompanhar com preocupação os desenvolvimentos no sector, e exigir medidas concretas que qualifiquem e que aumentem a promoção do destino Madeira”, conclui a nota de imprensa.