Jovens que morreram no curso de comandos “não foram refrescados” porque “atrasava a instrução”, denuncia o capitão-médico

comandos
O caso que levou à morte do madeirense Hugo Abreu e de um outro jovem, no curso de comandos, está nos tribunais.

Os tribunais vão procurar esclarecer os responsáveis pela morte de dois jovens do 127º curso de Comandos, que a 4 de setembro de 2016 não resistiram aos duríssimos exercícios ali ministrados e sobretudo a uma suposta falta de assistência. Um desses jovens, Hugo Abreu, de 20 anos, era natural da Ribeira Brava e estava ali a concretizar um sonho.

Hoje, de acordo com uma informação veiculada pelo Jornal de Notícias, durante a instrução do processo, no Tribunal de Lisboa, o capitão-médico Miguel Onofre Domingos, arguido no processo, disse que “o responsável direto pela instrução de comandos em Alcochete, onde morreram Hugo Abreu e Dylan Silva, recusou-se a refrescar os homens, não obstante o calor que se fazia sentir”.

Hugo Abreu
Hugo Abreu, o jovem que perdeu a vida numa instrução de Comandos. O caso está em tribunal.

Segundo a mesma notícia, “o oficial, que era responsável pelo apoio sanitário da prova zero, integrada no 127º curso de comandos, disse ao tribunal, que face ao extremo calor e ao “cansaço extremo” que notou nos instruendos, contactou o capitão Rui Monteiro e pediu-lhe para fazer passar os homens por uma área com água para os refrescar. No entanto, o capitão Rui Monteiro recusou, alegando que “iria atrasar a instrução”.

Em Novembro de 2016 foram detidos sete militares por suspeita de responsabilidade nas mortes.

Em 2017, 30 dos jovens que iniciaram o curso 128 acabaram por desistir.

De acordo com informações publicadas pelo Funchal Notícias, por ocasião da morte do militar madeirense, uma nota do Exército português dava conta que “o militar, que frequentava o 127.º curso de Comandos, sentiu-se “indisposto durante uma prova de tiro (tiro reativo)” tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou “um golpe de calor”. Por esse facto determinou a saída do militar da instrução e a sua transferência para a enfermaria de campanha, onde terá ficado em observação. Como após o jantar a situação clínica do militar piorou, o médico optou pela sua retirada para um hospital, mas, antes de ser transferido, acabou por morrer após uma paragem cardiorrespiratória.”