“José António Castro foi capturado pelo PSD”, acusa Menezes de Oliveira

Menezes de Oliveira
Menezes de Oliveira acusa José António Castro de não estar a falar verdade quando o liga à dívida da Câmara do Porto Santo.

O anterior presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, Menezes de Oliveira, está indignado com a acusação de José António Castro, o líder do Movimento “Mais Porto Santo”, que justificou o voto a favor da abertura de negociações visando o empréstimo a contrair pela autarquia, com as “gestões danosas” que antecederam a liderança se encontra em funções, do PSD.

Castro disse que o seu voto sim, no mesmo sentido do PSD, foi porque a autarquia corria o risco de ver as contas penhoradas se a proposta não fosse aprovada, uma vez era necessário regularizar dívidas de duas entidades credoras que executaram a Câmara.

Menezes de Oliveira acusa o vereador único daquele movimento de ter sido “capturado pelo PSD” e com decisões contrárias ao que “propagandeou no seu programa eleitoral”, reforçando que José António Castro tem assumido um conjunto de votações, junto ao PSD, e isso terá que explicar, mais cedo ou mais tarde, ao seu eleitorado, que o elegeu com determinadas expetativas, que agora estão goradas com estas atitudes”.

O ex-presidente da autarquia, hoje um dos dois vereadores eleitos pelo PS, desafia o vereador do movimento a provar de que forma estas dívidas foram contraídas pelo executivo anterior. Diz ser “mentira, não basta dizer que afirma factos, é preciso prova-los e falar verdade ao eleitorado que o apoiou e, de forma mais alargada, ao eleitorado do Porto Santo. Em primeiro lugar, os processos de que fala respeitam à ACF, a construtora a quem foram adjudicadas as obras do cemitério, do canil e do gatil e herdámos isso do mandato do PSD liderado pelo Roberto Silva. Há uma outra dívida, que tem a ver com a Farrobo, que também já vinha do mandato anterior ao meu”.

Menezes de Oliveira diz que a proposta levada terça-feira à reunião de Câmara e na qual José António Castro votou a favor, visa um empréstimo de 1,3 milhões “mas apenas resolve pontualmente estas situações”, referindo que “um dia destes, aparecem outras dívidas e terão que surgir novas soluções. Eu tinha um Plano de Saneamento Financeiro, que não sei porque razão não aproveitam, porque o trabalho está feito e devidamente enquadrado, que previa um empréstimo de 5 milhões que resolveria todas as dívidas do município e tornava a autarquia governável. E só não avançaram mais soluções porque durante a minha gestão os orçamentos foram chumbados e a gestão dificultada, inclusive com a ajuda do atual presidente da Câmara. Nunca vimos o problema de um ponto de vista microeconómico, com faz esta gestão do PSD, mas sim macroeconómico, para solucionar os problemas num seu todo. Com este empréstimo, pretende-se apenas estancar a hemorragia destes processos das empresas em causa, não resolve o problemna de fundo”.

O ex-presidente da autarquia afirma que “se o vereador quer fazer o papel de bonzinho dando o seu voto a favor do PSD, é com ele. Agora, fale verdade ao eleitorado”. E faz questão de lembrar que “apesar da dívida da Câmara, em grande parte herdada do mandato anterior ao meu, conseguimos reduzir o passivo e pagar a tempo e horas, o que não acontecia há muito tempo naquela câmara. Orgulho-me de ter assumido uma gestão rigorosa, de médio e longo prazo, ao contrário desta gestão distorcida, de não ouvir a população nem ouvir a oposição. Nem está aberta a crítica construtiva”.

Na reunião de terça-feira, os vereadores do PS votaram contra o empréstimo. Numa declaração de voto de vencido, a esse propósito, apontam a existência do já referido Plano de Saneamento Financeiro (PSF) e dizem que “os números da execução orçamental do Município revelam que se conseguiu entre 2013 e 2015 uma diminuição, expressiva, do montante de dívida, graças ao esforço do executivo camarário cessante do PS, que deve ser mantido no médio e longo prazo”.