Dormir ao relento… mas sem dispensar o lençol

*Com Rui Marote

A imagem documenta uma realidade pouco agradável, a de que o Funchal tem cada vez mais pessoas a dormir ao relento. No entanto, esta não é a imagem de um sem-abrigo com todos os pergaminhos, mas de um homem que vende a arte que executa. Simplesmente, os proventos não lhe chegam para mais do que fazer funcionar o estômago de forma regular, pelo que há que economizar no “hostel”…

O que lhe vai valendo ainda é o facto de o clima da ilha ser semi-tropical. De qualquer modo, por vezes é necessário recorrer a uma manta ou a caixas de papelão. Neste caso, o homem parece ter-se servido de um lençol, coisa rara para quem dorme na “pensão estrela”…

E é no cruzamento de uma imagem amarga com a constatação de uma certa ironia agridoce que o FN captou esta imagem ao nascer do dia. Uma imagem vale por mil palavras, diz-se. Portanto, não há que efectivamente gastarmos muito do nosso latim numa descrição. Se o leitor tiver empatia, conseguirá colocar-se no lugar daquele senhor que dorme naqueles estranhos degraus à beira-mar. E facilmente concluirá que os sonhos dele devem ser melhores do que a realidade.