O Partido Trabalhista Português (PTP) manifestou ontem “a sua profunda estupefacção e total desacordo” perante a nomeação de Paulo Barreto para o cargo de Representante da República para a Região Autónoma da Madeira.
Para o PTP, esta escolha é um sinal alarmante para as instituições democráticas da Região. Se Paulo Barreto for um Representante da República tão “bom” como foi enquanto Presidente da Comarca da Madeira ou como delegado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), os madeirenses e os porto-santenses estão, no entender do partido, “bem arranjados”.
José Manuel Coelho faz questão de avivar a memória colectiva, recordando que foi durante o mandato de Paulo Barreto que se assistiu a episódios negros na justiça e na liberdade de expressão na Madeira: O partido recorda o cerco movido contra o jornal Garajau e contra diversos democratas que ousaram desafiar o regime jardinista.
“Durante o seu tempo na Comarca da Madeira, a grande corrupção política floresceu sem que a justiça fizesse o seu devido trabalho de fiscalização e punição, permitindo que esquemas de compadrio se enraizassem na Região”, afirmam os trabalhistas, citando como exemplo, o caso da dívida oculta da Madeira (processo Cuba Livre) e da agente de execução Maria João Marques que “burlou muitos madeirenses”.
Coelho lembrou que não foi por acaso que operação “Zarco” e a operação “Ab Initio” teve de partir de fora da região com o DCIAP, colocando a nu, a inoperância de anos e anos da justiça na Madeira, que esteve sobe a liderança e supervisão de Paulo Barreto.
O PTP afirma que Paulo Barreto estava mais preocupado com questões da sua classe e corporativistas do que propriamente com interesse dos madeirenses e porto-santensses, que mereciam uma justiça decente.
O Partido Trabalhista Português diz portanto que não é de admirar que Miguel Albuquerque e Paulo Cafofo estejam satisfeitos com a sua nomeação, porque está nomeação servirá uma vez mais como instrumento de protecção das elites que há décadas dominam o arquipélago.
Coelho sentencia: esta nomeação de Paulo Barreto para Representante da República “é o primeiro tiro nos pés” de António José Seguro.
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