Artista madeirense Rigo 23 inaugurou exposição em Frankfurt e prepara já novos projectos para 2018

Ricardo Gouveia, mais conhecido por Rigo 23, o mais internacional dos artistas plásticos madeirenses, inaugurou recentemente uma exposição em Frankfurt, a qual está a ser bastante bem recebida pela imprensa germânica.
Esta mostra, intitulada “Entre Terra e Mar”, no Weltkulturen Museum de Frankfurt permanecerá patente ao público durante dez meses, e será acompanhada de dois catálogos, um em Inglês, e outro em Alemão.
Rigo 23 partilha o espaço do dito museu com o artista brasileiro Ayrson Heráclito, de Salvador da Bahia. Inaugurada a 12 de Outubro, a exposição só terá o seu término a 26 de Agosto do próximo ano.

As intervenções e trabalhos contemporâneos que até lá poderão ser vistos, segundo nota do próprio museu, realizam uma fusão entre o político e o lírico, com ambos estes artistas. O brasileiro participou na 57ª Bienal de Veneza e em outras importantes exposições de arte dos nossos dias; Rigo 23 tem uma bem conhecida carreira, da qual se destacam, recentemente, a participação na Folkestone Triennal na Inglaterra, e a exposição “Mundos Alternos: Art and Science Fiction in the Americas” na Califórnia, em 2017.

A mostra, diz a instituição museológica, é o culminar das muitas actividades da mesma nas actividades de investigação da cultura e arte afro-brasileira. “Proporciona um novo ímpeto nas percepções presentes dos processos transatlânticos de arte entre a África, a Europa e a América”, afiançam os responsáveis. Isto é particularmente evidente, referem, nas interacções dos artistas com objectos da América do Sul e de África, constantes das colecções do Museu. A selecção de objectos realizada pelos artistas, oferece “um olhar fascinante nas suas próprias preocupações e interesses”.

Ambos os criadores apresentam instalações de larga escala, trabalhos videográficos, fotografias, esculturas e performances nas quais “exploram o poder de eventos históricos da era da escravatura e do domínio colonial, um poder que então emanava da Europa. Mesmo agora, estes eventos ainda afectam as vidas dos descendentes de escravos afro-americanos a diáspora, bem como dos índio Guarani”, refere um texto alusivo.

Rigo 23 realiza projectos artísticos usando métodos participativos, com os índios Guarani no Brasil, projectos esses que reflectem a sua criatividade e espiritualidade e têm uma mensagem política impactante. São trabalhos que vêm na senda de um percurso marcado pela forte consciencialização política e social que Rigo 23 promove através da sua arte, sempre provocadora e interventiva que aborda os problemas, mas também os aspectos mais positivos da identidade, dos povos ou grupos marginalizados.

Já o brasileiro Ayrson Heráclito faz uma conexão entre a sua arte e a estética da cultura urbana e da religião afro-brasileira, que o mesmo vê como uma expressão de resistência e auto-afirmação de um povo que preserva ainda a cultura dos antigos escravos.

A exposição conta ainda com empréstimos do Museu Colecção Berardo, de Lisboa, e da Galeria Tapeçarias de Portalegre, bem como de várias colecções privadas nas quais ambos os artistas se encontram representados.

A ideia da exposição e do design foi desenvolvida num processo de diálogo entre os curadores e etnólogos Mona Suhrbier e Jane de Hohenstein e a dupla de artistas.

Rigo 23 dá-nos conta de que tem tido um ano cheio de actividade. Em Janeiro do próximo ano, realizará uma exposição individual num museu de Los Angeles, Estados Unidos, nomeadamente o “Main Museum”. A exposição intitular-se-á “Ripples become Waves”, e enfatizará o trabalho de sensibilização, já com muitos anos, de Rigo 23 relativamente ao encarceramento de presos políticos e ao cruel destino da comunidade indígena nos Estados Unidos. O nome da mostra deriva de uma citação de Robert H. King, antigo preso político e co-fundador do movimento político “Panteras Negras”, que esteve na Penitenciária Estadual da Louisiana e que declarou: “Quanto mais fundo te enterram, mais sonora se torna a tua voz. Atiras pedrinhas ao charco, e causas pequenas ondulações; esses pequenos círculos tornam-se ondas, e as ondas podem tornar-se um tsunami”.