Raquel Coelho diz que Cafôfo “falhou na competência e trabalha para a imagem” e Albuquerque “não acompanha a popularidade de Rubina Leal”

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“Estes independentes que se julgam super-heróis da política acabam por se revelar mais do mesmo”.

Raquel Coelho tem ideias muito concretas do que pretende para a candidatura do Partido Trabalhista Português (PTP) à Câmara do Funchal: uma cidade para todos e uma autarquia do povo para o povo. E não tem dúvidas sobre o que está em jogo nas eleições autárquicas de 1 de outubro: o futuro do Governo Regional. A forma como Paulo Cafôfo (Coligação Confiança) e Rubina Leal (PSD) estão a posicionar-se no terreno, o que gastam na campanha e o discurso cada vez mais forte, fazem com que a candidata do PTP diga, claramente, que “Albuquerque está preocupado”, que “Cafôfo é ambicioso e trabalha para a imagem, vê na Câmara um trampolim para o Governo, é um candidato apoiado por Lisboa e fez um mandato de imagem a pensar na reeleição” e que “Rubina Leal é popular mas Albuquerque não a acompanha nessa popularidade”.

Cafôfo usurpou programa de há quatro anos

O que está em cima da mesa “nestes partidos do sistema”, diz Raquel Coelho, aponta precisamente para as “Regionais de 2019”, com Albuquerque a tentar “manter a maioria parlamentar” e “Cafôfo a tentar assumir a governação através do PS”. A candidata, que representa um partido que há quatro anos apoiou Cafôfo e contribuíu para a vitória do professor que passou a ser a imagem da autarquia funchalense, através da “Coligação Mudança”, mantém o discurso no sentido de “subscrever, tal como o fizemos na altura, o programa dessa Coligação”, que como afirma “foi usurpado, primeiro pelos interesses político partidários do PS e, depois, pelas ambições eleitoralistas do professor Paulo Cafôfo, que surge nesta onda de independentes que grassa na Europa, em que são apontados como tendo as soluções para os países, sobretudo os que se encontram em decadência e em crise financeira, económica e social”.

Os super-heróis da política são mais do mesmo

Refere que “estes independentes, “que se julgam os super-heróis da política, os que interpretam uma figura qual D. Sebastião que aparece no nevoeiro, acabam por se revelar e são mais do mesmo, iguais ou piores do que aqueles que se apresentam pelos partidos”.

Raquel Coelho diz que a competência não está em ser ou não independente e recorda que “Cafôfo entrou na política precisamente com aquela fórmula de que estava à margem dos vícios que antes dominavam a política madeirense e, particularmente, a Câmara do Funchal. Vinha, de certa, forma, salvar o cidade, salvar mesmo a Madeira. Mas o que aconteceu a Paulo Cafôfo, embora eu reconheça nele alguma capacidade de discurso, é que chegou na altura certa, porque as pessoas queriam penalizar o PSD devido às medidas de austeridade e encontraram-no ali à mão. Se fosse outro também beneficiava da conjuntura. Olhe, uma das coisas que eu aprendi com o ex-presidente da Assembleia, Miguel Mendonça, foi que a política não é para os mais inteligentes, não é para os mais capazes, mas sim para que estão no local certo à hora certa”.

Paulo Cafôfo defraudou expetativas

Lembra que houve partidos, como o PTP, que “abdicaram de candidaturas próprias para apoiar Paulo Cafôfo e houve empenho nisso”, mas diz que o líder autárquico “defraudou as expetativas e não soube cumprir com o programa que esteve subjacente à sua candidatura e ao acordo com os partidos apoiantes”. Raquel Coelho tem uma explicação para esse comportamento, que de certo modo justifica o rompimento dessa participação autárquica do PTP: “Ele percebeu que, ou entrava no jogo, neste grande jogo que é a política, ou então não tinha qualquer hipótese de ser reeleito. Percebeu que tinha que entrar pela troca de favores, dentro do Partido Socialista, para poder ganhar apoios para o futuro, daí ter colocado várias pessoas na Câmara e foi aí que começou o grande choque com a sua gestão. Além disso, aproximou-se dos grandes grupos económicos, daqueles que nós dizemos que mandam na Madeira. Ver o nosso aliado na Câmara ao lado desses grupos, contra quem temos travado grandes lutas, contra o favorecimento, não é agradável e desvirtuou por completo os princípios do acordo, esquecendo-se que chegou à política logo para presidente da Câmara, sem ter feito nada antes, enquanto os partidos que o apoiaram tiveram que desbravar silvado para deixar-lhe o caminho aberto”.

Colou-se a grupos e começou a “financiar” orgãos de comunicação

O caudal de queixas do PTP não fica por aqui. Cafôfo é o alvo: “Viu a necessidade de conquistar uma ala do Partido Socialista, capaz de o levar à liderança do partido. Colou-se a grupos para reunir apoios para uma reeleição e de futuro a uma ascensão ao poder regional. E inclusive começou a financiar orgãos de comunicação social, como é o caso do Diário de Notícias, que é o mais chocante. Criticaram o Jornal da Madeira do Dr. Jardim, mas agora passa-se precisamente o mesmo com a comunicação social. É igual, mudaram as pessoas mas os métodos são os mesmos. Foram estes os objetivos do Dr. Cafôfo”.

Falhou na sua competência e será penalizado

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“Viu a necessidade de conquistar uma ala do Partido Socialista, capaz de o levar à liderança do partido. Colou-se a grupos para reunir apoios para uma reeleição e de futuro a uma ascensão ao poder regional”.

Para estas eleições, considera que o presidente da autarquia funchalense sofreu um grande revés, que foi a forma como geriu a tragédia do Monte. Raquel Coelho lamenta as mortes e reafirma a sua “solidariedade para com as famílias”, diz que a equipa autárquica “portou-se mal” e reforça a idéia que “estes independentes demonstraram que não são a solução e que têm os mesmos problemas dos outros. Uma função primeira de um presidente de Câmara é zelar pelo bem estar e pela segurança das populações. Quando não se consegue garantir nem uma coisa nem outra, não há condições para governar, independentemente de haver ou não culpa direta. Há uma responsabilidade política que é preciso assumir. Se o professor Paulo Cafôfo não assumir as consequências políticas da tragédia do Monte, julgo que as populações poderão assumir esse papel no dia 1 de outubro e penalizar a sua governação autárquica. Ele falhou na sua competência máxima e acredito que será fortemente penalizado nestas eleições”.

Rubina Leal com a grave crise interna no PSD

Nesta mais do que provável bipolarização, surge Rubina Leal, mas a candidata do PTP considera que a antiga vereadora de Albuquerque enfrenta um problema, que é o facto do “PSD estar a atravessar uma grave crise interna. E se estas eleições são uma prova de fogo para todos os partidos, será muito mais para o PSD. Os detratores de Miguel Albuquerque, se os resultados forem aqueles que se vislumbram, poderão aproveitar para pedir eleições dentro do partido e fazer com que ele se demita do governo”.

É preciso cuidar da cidade

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“O Governo destruiu o postal da Madeira. Antes, os turistas tiravam fotos das ribeiras e das flores, agora não tiram”.

Quanto à cidade e aos seus problemas propriamente ditos, aponta críticas naquilo que se prende com a manutenção da limpeza. Diz que “é preciso cuidar da cidade” e acusa os responsáveis autárquicos de estarem “muito preocupados com a loja do munícipe” e descurarem “aquilo que é mais básico, que é a limpeza, o saneamento básico, cuidar dos jardins, ter casas de banho públicas para dar resposta numa cidade turística, a exemplo do que acontece por essa europa fora”.

Fala no desordenamento do território, que se instalou na capital em função da vinda de muitas pessoas para a cidade e “do facilitismo do PSD”, no passado, o que “acabou por provocar situações como aquelas verificadas com o temporal e com os incêndios”.

Raquel Coelho defende um melhor ordenamento, urbano e semiurbano e florestal. Diz ser necessário “dar passos concretos nesse sentido”, tomando posições que “não estejam condicionadas pelos calendários eleitorais”, até porque muitas vezes “as vontades das populações podem chocar com a sua segurança e torna-se necessário tomar medidas contra essas mesmas populações, mesmo que isso possa representar perder alguns votos”. Quer “um levantamento das necessidades habitacionais, procurando realojar pessoas que se encontrem em zonas que comprometam a segurança, além de não permitir a construção em áreas de risco”.

Reabilitação de prédios urbanos

No pacote de medidas que Raquel Coelho apresenta na sua candidatura, está por exemplo a redução de custos da empresa Frente-Mar, a reabilitação de prédios urbanos através da criação de uma linha de crédito, a criação de um jardim no Largo do Pelourinho com a inclusão das descobertas arquitetónicas, proteção do mar, limpeza das praias e qualidade da água, desenvolvimento e arranjo de todas as áreas sem toponímia devidamente assinalada, além da devolução da paisagem pitoresca das ribeiras do centro do Funchal”.

Governo destruiu as ribeiras, um postal da Madeira

É neste contexto das ribeiras que a candidata critica o posicionamento desta gestão autárquica face à obra que foi levada a efeito pelo Governo “e que destruiu a cantaria que foi construída em 1804 pelo brigadeiro Reinaldo Oudinot e que desapareceu debaixo do betão. O Governo destruiu o postal da Madeira. Antes, os turistas tiravam fotos das ribeiras e das flores, agora não tiram. Eu passo pelo Funchal e já não tenho o mesmo ânimo e a mesma alegria. O Funchal já não é o mesmo, perdeu a caraterística que tinha. E as buganvílias davam uma beleza às ribeiras. Era importante ter encontrado uma solução equilibrada, realizando as obras necessárias mas salvaguardando aquele que era o postal da Madeira. E esta é uma responsabilidade do Governo, mas é uma falta de intervenção da Câmara. Estão a descaraterizar a cidade e ninguém diz nada. Se eu estivesse na presidência da Câmara já tinha reunido com o Governo e dizia claramente que a autarquia ia tomar posição se o Governo deixasse as ribeiras da forma como estão. A Câmara deve ser firme, as ribeiras não podem ficar assim”.

Savoy é o Funchal capturado pelos interesses”

Dois outros cenários colocam o PTP de alerta: as floristas no Largo Gil Eanes, que “tendem a desaparecer e estão num local sem dignidade”, representam o que é genuinamente madeirense e “deveriam merecer outro apoio para preservação futura”, tendo em vista que o Funchal “é uma cidade turística”. E revela um desabafo da única florista que ali se encontra e que corresponde a uma realidade “caricata” por ter sido “multada pela GNR, em 180 euros, porque apesar de ter a fatura das flores, não tinha dos baldes. “Isto é a prova da falta de cuidado com estas situações, falta sensibilidade”; Outro cenário é o Savoy, demonstrando que “o Funchal está completamente capturado por interesses”. Diz que um passeio de barco já permite “ver a imagem que a construção do Savoy dá, que tapa a montanha”. Afirma não estar “contra o progresso” nem ser “contra o investimento”, mas sim “a favor da integração das construções na paisagem”. Responsabiliza tanto Albuquerque como Cafôfo neste processo.

PTP disposto a defender um “Funchal para Todos”

Por tudo isto, Raquel Coelho apela ao eleitorado para “decidir bem” a 1 de outubro. E fala claro aos que terão esse poder de decisão nas mãos: “Se querem que a Câmara esteja subjugada aos interesses de grupos instalados, com autarcas que trabalham para a fotografia, podem votar nos mesmos partidos de sempre. Se querem uma nova dinâmica, uma lufada de ar fresco, uma política virada para as pessoas, votem em partidos alternativos e o PTP está disposto a defender o Funchal para Todos, que corresponde ao nosso slogan de campanha”.