Enfermeiros de obstetrícia manifestam-se junto ao hospital

Está marcada para a manhã desta quarta-feira, junto ao Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, uma manifestação de enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica que trabalham naquela unidade hospitalar. A iniciativa contará com a participação de colegas de outras especialidades.

O objetivo será manifestar o descontentamento e a desmotivação que afligem estes profissionais perante a falta de reconhecimento pelas suas carreiras e funções especializadas. Um protesto que se junta ao movimento espontâneo organizado em julho pelos enfermeiros continentais.

Atualização salarial “justa e condigna”, compatível com as funções especializadas que desempenham nos hospitais e nos centros de saúde, a criação da categoria de enfermeiro especialista e a uniformização de horário (35 horas semanais) para os profissionais com contrato individual de trabalho e com contrato de trabalho em funções públicas são as garantias que os enfermeiros querem ver salvaguardadas pelo Ministério da Saúde. Um processo negocial nada pacífico e que, no Continente, já levou à suspensão de atos de enfermagem diferenciados em quase três dezenas de salas de partos.

Para além dos protestos de zelo dos especialistas em saúde materna e obstetrícia, o Sindicato dos Enfermeiros entregou um pré-aviso de greve nacional para os dias 11 a 15 de setembro.

Entretanto, a Ordem dos Enfermeiros apelou esta terça-feira à “intervenção urgente” do Presidente da República “face à recusa do Governo de negociar a carreira de enfermagem” e ao crescente número de profissionais disponíveis para abandonarem os serviços.

Numa carta aberta enviada a Marcelo Rebelo de Sousa, a bastonária dos Enfermeiros alerta que se vivem “tempos de emergência”, que “aumenta de dia para dia” o risco de o Serviço Nacional de Saúde colapsar e que os serviços “não cumprem o número mínimo de enfermeiros para manter as pessoas em segurança e garantir a qualidade dos cuidados prestados”.

A bastonária sublinha que os enfermeiros estão exaustos, não têm carreira profissional, levam para casa menos de mil euros por mês, tanto os generalistas como especialistas, trabalhando 35 ou 50 horas por semana.

“Todos os dias estão a chegar à Ordem relatos de enfermeiros que manifestam intenção de escolher um dia para abandonar os serviços dos hospitais e centros de saúde”, avisa.

Além da saúde materna e obstétrica, as especialidades de enfermagem atualmente reconhecidas são a enfermagem comunitária, a médico-cirúrgica, a de reabilitação, a de saúde infantil e pediátrica, e a de saúde mental e psiquiátrica.