
Um dos desafios mais difíceis que se colocam ao Porto Moniz prende-se com a adoção de políticas para fixar as populações e evitar o êxodo rural. O presidente da Câmara sabe disso, tem planos para colocar em prática, mas volta a apresentar a questão de uma forma mais abrangente, acusando o Governo Regional de “tratamento desigual” quando falamos de uma estratégia turística para a Região. Sabe o que precisa, mas tem que lutar contra o que considera ser a forma como se vende o produto Madeira. Repete o que disse, há anos, que a Madeira vende o sul com imagens do norte.
Interesses centralizados no sul
Emanuel Câmara recorda que “uma vez, numa reunião das Regiões Ultraperiféricas, disse que estava farto de ver vender o sul com as imagens do norte. Na altura, a senhora secretária do Turismo não gostou e disse que a Madeira era uma só. E realmente é. Só que toda a gente sabe que os interesses estão centralizados no sul e isso não é por culpa dos presidentes das câmaras municipais, nem eu aqui, nem o José António Garcês em São Vicente, nem o Teófilo em Santana. As políticas do Governo Regional, ao longo dos anos, dependentes do poder económico, fizeram com que não haja interesse em que o turista venha para o norte, pode vir visitar mas regressa ao sul”.
Começo a ter saudades do Dr. Alberto João Jardim
Mas esta política da globalidade regional pode vir a criar mais problemas, segundo o autarca. E explica porquê: “É preciso que não se esqueçam que estas imagens do norte, apelativas, só existem porque existem pessoas. Quando as pessoas deixarem de cultivar os campos e deixarem de cuidar das suas terras, o que já está a acontecer, de certeza que as paisagens e a beleza que ostentam, não serão as mesmas. Esta situação é uma grande responsabilidade do Governo Regional”.
A este propósito, o autarca e candidato socialista aproveita para reagir às declarações do Presidente do Governo Regional, num recente encontro partidário social democrata a norte, onde Albuquerque acusou o autarca do Porto Moniz de não ter adotado políticas para fixar as pessoas no concelho. “Falou como se essa fosse uma responsabilidade das câmaras. O Dr. Miguel Albuquerque é uma pessoa incompetente para estar à frente do governo desta terra. Digo isto com todas as letras, sem qualquer problema. Aliás, começo a ter saudades do Dr. Alberto João Jardim, pode parecer um paradoxo, mas é verdade”.
O Dr. Albuquerque faz parte de um partido que governa há 40 anos
Diz que o atual presidente do Governo “vem ao Porto Moniz atacar, mas depois, aqui ao lado, que sofre dos mesmos problemas de toda a zona norte, já diz que o colega de São Vicente está a fazer um bom trabalho. Isto só demonstra o que é a pessoa que está a governar a Madeira”.
O presidente da Câmara do Porto Moniz acusa Albuquerque de não querer assumir as suas responsabilidade. “O Dr. Miguel Albuquerque fez parte de um partido que governa a Madeira há 40 anos, fez parte das comissões políticas do PSD, da Associação de Municípios, foi presidente da Câmara do Funchal eleito pelo PSD, e agora quer sacudir a água do capote e dizer que não tem nada a ver com isto. A partir daí, estamos conversados”.
Não deixa de fora das críticas o candidato do PSD, Rui Nelson: “Apoiou-me há quatro anos e ajudou-me a fazer equipa, tal como outras pessoas que agora estão no contra. É por estas e por outras que as pessoas olham para os políticos de lado”, diz em forma de “farpa” ao agora adversário político no concelho.
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