A Excelência dos “vintes” tem gémeas iguais à décima

Margarida Silva e Diana Ferraz (texto e fotos)

20170705_102343
Da esquerda para a direita o Rodrigo Costa, a Mariana Andrade e o João Pedro.

Mais do que 20 é impossível. São notas que contam à décima, determinantes para a entrada em cursos que são fortemente competitivos. A Medicina está no topo. São alunos de excelência, os que o Funchal Notícias entrevistou, que andam à volta dos 19,57 e do 20. Quase todos preferem a Matemática e a Físico-química, não gostam do Português. Este não gostar, mesmo assim, deve andar perto do 20.

Além da escola, um na ‘’Francisco Franco’’ (João Pedro Carvalho) e outro na ‘’Jaime Moniz’’ (Anabela Teles), aquilo que separa estes dois alunos é mesmo a média, 19,83 e 19,57, respetivamente. A Anabela não tem um método de estudo definido mas defende a ideia de que ‘’ estar atenta nas aulas e tirar o máximo de apontamentos possíveis’’ é fundamental. ‘’Depois, quando chego a casa faço apenas os trabalhos de casa pois tenho treinos de natação e o tempo é escasso’’. Por outro lado, João Pedro, estuda de uma maneira mais tradicional ‘’ Escrevo! Escrever, para mim, ajuda a decorar muitas coisas, faço alguns exercícios e por fim leio em voz alta’’.

Anabela Teles
Anabela Teles, aluna da Jaime Moniz, com média de 19,57.

Nos tempo livres, Anabela faz natação, costuma andar de karting e ainda faz parte do grupo de ginástica da escola. João Pedro ocupa o seu tempo livre com leitura de revistas, como a National Geographic, mas também com livros de aventura. Quanto a assuntos do dia-a-dia, ambos mostram interesse pela política porque, segundo João Pedro, ‘’ é um assunto que está sempre presente no nosso quotidiano, daí ser preciso termos consciência sobre o mesmo e também para conseguirmos ter uma vida política ativa no futuro’’. Quanto a esse futuro breve, Anabela afirma que não saber se vai estar em Portugal.,”Gostaria de tirar um semestre ou um ano da universidade no estrangeiro, quem sabe Erasmus ou até mesmo trabalhar lá fora’’. O maior sonho de João Pedro ‘’ é conseguir mudar o mundo’’, já o de Anabela ‘’é arranjar um trabalho em que consiga ter alguma estabilidade na vida’’.

Gémeas, quase iguais à vista e iguais na décima

20170705_145319
As gémeas Laura Basílio (esquerda) e Carolina Basílio, com média igual.

Tão curioso quanto excelente é o ‘’retrato’’ que podemos dar de duas gémeas, alunas da ‘’Jaime Moniz’’, de 16 anos, iguais em quase tudo, até na média, 19,57. No 11º ano. São parecidas, estudam em conjunto e andam ali, par a par, com as décimas que irão conduzi-las aos objetivos para a universidade. E aqui há uma diferença. A Carolina Basílio está virada para a área da saúde (Medicina ou Ciências Biomédicas), já a Laura Basílio ainda não tem uma ideia definida, não pensou muito no assunto, mas espera lá chegar. Têm como principal fonte de inspiração a mãe ‘’por ser uma pessoa extremamente trabalhadora’’.

País em decadência em termos de Educação

Quanto a uma visão económica, política e social acerca de Portugal ambas têm uma posição diferente. Carolina afirma que ‘’estamos um pouco atrasados em relação a outros países que estão classificados no mesmo grau de desenvolvimento mas, por outro lado, estamos muito desenvolvidos em relação aos países menos desenvolvidos; a nível da educação estamos a entrar um pouco em decadência, assim como a nível social, porque a nossa forma de pensar está a entrar num rumo errado, acho que deviamos seguir o exemplo da Finlândia ou de outros países nórdicos; em termo económicos estamos a progredir. As mentalidades deveriam estar mais abertas’’. Por outro lado, Laura diz: ‘’Os nossos politicos não são os melhores, falam muito mas cumprem muito pouco; Portugal deveria tentar apostar em pessoas com mais nível de educação porque se analisarmos bem, existem já casos de políticos que diziam ter estudos e na verdade não tinham, portanto o futuro de Portugal passava por obter melhores políticos. O sistema de educação esta teórico demais, deviam seguir o exemplo da Inglaterra, muito mais prático e não tão exigente’’.

Mariana Andrade, aluna do 11º ano, da conhecida ‘’Escola Industrial’’, cuja média é de 19,80, ainda não tem uma ideia do que pretende seguir mas Medicina está entre as escolhas. Consegue uma média alta pois ‘’ faço resumos da matéria e faço exercícios. Quanto às aulas estou bastante atenta pois assim já não tenho que me esforçar tanto em casa’’. Define o seu percurso pelo secundário como ‘’um desafio’’. O seu maior sonho ‘’é viajar pelo mundo’’. Quanto a assuntos do quotidiano interessa-se pelo que ‘’se passa no resto do mundo’’ e quanto a Portugal diz que ‘’Não somos os piores, nem somos os melhores, ainda assim existem muitas coisas que podemos melhorar, como a situação económica e o sistema de educação’’.

Interesse pela política e pela economia

Lara Sá
Lara Sá, aluna da “Jaime Moniz”, com média de 19,60.

Lara Sá, aluna do ‘’Liceu’’, terminou o último ano do secundário com uma média de 19,60 valores, e, tem como disciplinas favoritas ‘’ todas as áreas científicas como Biologia (parte humana), Físico-química e Matemática. A disciplina que menos gosto talvez seja português’’. Com a realidade da universidade a aproximar-se cada vez mais pretende ingressar no curso de Medicina na Faculdade de Medicina, Universidade do Porto. Nos tempos livres ‘’sou escuteira. Todos os sábados, das 18h às 20h, estou ocupada com atividades dos escuteiros. No tempo que me resta gosto de ver séries, ir ao ginásio, ler, passear’’. Gosta de estar informada acerca de ‘’tudo o que tenha a ver com política ou finanças, isto devido à minha passagem pelo parlamento dos jovens que despertou esse bichinho em mim. Fiz parte do parlamento dos jovens até ao 10º ano porque na escola o projeto não é muito divulgado’’. Inspira-se em ‘’ Egas Moniz, Manuel de Sobrinho Simões e na minha ortopedista Cristina Alves que foi por ela que eu sempre quis seguir a área da Medicina, pela forma como ela trata os seus pacientes. Ela é uma excelente ortopedista, não só pela parte científica mas também na parte humana’’.

Secundário inibe alunos de criatividade

Define o seu percurso do secundário como ‘’aborrecido’’ pois a forma de como o secundário está estruturado ‘’inibe os alunos de serem criativos. É empregue uma linha de raciocínio aos estudantes e não há margem para manobras. Estudar pelas curiosidades que apenas estão escritas nos livros torna-se pouco motivador’’. O seu maior sonho ‘’é ser médica e feliz’’.

Rodrigo com média de 20 aceite em universidade do Reino Unido

Com média de 20 valores e aluno da Escola Secundária Francisco Franco, Rodrigo Costa, aluno de Artes Visuais, tinha como disciplina favorita, até ao 12º ano, Desenho ‘’ porque era onde eu estava mais em contato com a minha área e com os materiais, mas este ano, e conforme as minhas opções, passou a ser Oficina de Artes. A disciplina que gosto menos é Oficina de Multimédia porque sou das artes antigas’’. Acrescentou que foi já aceite em Belas Artes na Universidade Coventry (Reino Unido) e sublinha que ‘’irá ser um grande desafio embora domina e língua’’. Tem Paula Rêgo como inspiração pois ‘’ninguém apreciava a sua arte mas ela conseguiu impôr-se e neste momento, depois de tantos ‘’maus momentos’’, continua a ser uma excelente artista, sem nunca ter renunciado ao que ela realmente quer criar. Muitas das vezes, nós, enquanto artistas, somos obrigados a pintar de uma maneira que se torne mais agradável aos olhos de quem vê, porque assim vamos vender mais e vamos ser mais aceites’’. Quanto à situação de Portugal face ao resto do mundo ‘’não gosto de acompanhar mas acompanho. Porque é preciso. Enquanto jovem português, e, apesar de futuramente sair do país, acho que Portugal é um país cheio de potencialidades e em termos de Artes é um país que tem inúmeras promessas, muitos jovens que prometem ser alguma coisa na vida mas que infelizmente não têm uma base ou falta-lhes alguém para os ajudar ou lançar para o mercado de trabalho’’. O secundário foi, para Rodrigo, ‘’Um tempo de muita aprendizagem. Foi um tempo de reflexão’’.