Santa Cruz “apagou dívida” e Filipe Sousa “é o exemplo da política fogo de artifício”

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Para Cláudio Torres, candidato do PS, o atual presidente da Câmara não pagou dívidas, mas sim “apagou dívida” ao mandar para os tribunais o que a Câmara devia aos pequenos fornecedores. Foto Rui Marote

Cláudio Torres, com formação superior em Biologia, natural do Funchal mas “com muita vida feita no concelho de Santa Cruz”, é o candidato do PS às autárquicas naquele que tem sido, durante estes quatro anos, o “domínio” do Juntos Pelo Povo. Não acredita nos números desta gestão municipal, diz que a redução da dívida foi uma estratégia, “o presidente não pagou, mas apagou da dívida global o valor que está em tribunal resultante de dívidas a credores”. Diz que Filipe Sousa é o exemplo da política “fogo de artifício”. Vai tentar desmontar o discurso do presidente sem saber se consegue. Mas diz que o trabalho é meio caminho andado para os resultados. Quer um concelho gerador de emprego em vez de um concelho dormitório. Tem preparado “um pacote de medidas de grande alcance”.

Caniço com mais população mas menos serviços

Santa Cruz tem os serviços e menos população, o Caniço tem mais população e menos serviços. Assim, em traços gerais, está definida parte da estratégia subjacente à candidatura do Partido Socialista, que pretende alterar essa realidade para proporcionar um maior equilíbrio ao concelho no seu todo. O PS apoiou o JPP nas últimas eleições, mas agora decidiu concorrer com um candidato próprio, fazendo recair a escolha em Cláudio Torres, que tem atividade profissional numa empresa de âmbito nacional.

A campanha socialista, diz Cláudio Torres, “vai incidir muito naquelas que são as necessidades que se revelam urgentes no Caniço. Mas não só, todo o concelho vai merecer a nossa atenção”. O Programa Eleitoral Participado, lançado logo após o anúncio da candidatura, já deu os seus frutos, permitindo avaliar que o Caniço precisa de um serviço médico de urgência e de uma oferta pública, ao nível da Educação, que corresponda ao que ao o povo precisa”.

Santa Cruz foi dos poucos concelhos do País a crescer na população jovem

Aponta o facto de Santa Cruz ter sido, dos poucos concelhos do País, a crescer na sua população jovem, situação muito influenciada pelo Caniço. “E isto quando, a nível nacional, fomos confrontados com uma crise económico-financeira e social nos últimos quatro, cinco anos, que acabou por provocar uma “sangria” de jovens, que procuraram soluções lá fora. Santa Cruz contrariou essa realidade. Só que, em contrapartida, não foram desenvolvidas políticas nesse enquadramento e por exemplo, no Caniço, e ao nível da Educação, uma família que tem um filho na faixa etária 2/4 anos, sem estar no escalão que prevê atribuição de apoios sociais, não tem oferta pública em termos de estabelecimento escolar, tem que recorrer ao privado, onde paga 240 euros. Pagaria metade se fosse num serviço público. É preciso atendermos a estas realidades que às vezes são esquecidas pelas discussões do dia a dia”.

JPP? A montanha pariu um rato”

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Mudar Santa Cruz, atenção especial ao Caniço que tem poucos serviços, uma equipa credível, com muitos independentes, fazem parte da “receita” do candidato socialista. Foto Rui Marote

Em matéria de quadro político, o PS está numa posição difícil depois de há quatro anos ter apoiado o Juntos Pelo Povo. Não sabe exatamente quanto vale em termos de votos, neste momento. Terá que encontrar meios para convencer o eleitorado, não só que é a via socialista que dá rumo ao futuro, mas também que a via do JPP não dá resultado, apesar dos resultados que a liderança de Filipe Sousa tem apresentado.

Este é um verdadeiro “bico-de-obra” para o PS, diz quem está a ver a situação por fora. Será mesmo? Cláudio Torres desmonta, mas antes lembra que “há quatro anos, houve uma conjugação de esforços à volta de um objetivo, destronar o PSD da liderança da Câmara, sem que esse plano tivesse muito a ver com entendimentos ideológicos. Eu próprio confiei o meu voto ao então movimento Juntos Pelo Povo, já extinto. Mas entretanto, pode dizer-se que “a montanha pariu um rato”. E não foi só o PS que se desvinculou deste projeto”.

Nem atas nem relatórios estão para consulta

O candidato socialista, agora já procurando desmontar o fio condutor do JPP, diz que não foi preciso esperar muito para a desilusão dos apoiantes de Filipe Sousa. Foi logo nos primeiros meses de mandato. Refere que “há gente no JPP que aponta o facto de terem sido desvirtuados os princípios que estiveram na criação do movimento, estão descontentes com o novo rumo”. Quanto aos números, não acredita nos valores que são apresentados, tudo porque “umas vezes o Filipe Sousa diz que a dívida inicial é de 54 milhões, outras diz que é de 38 milhões, que é o valor que está nos relatórios. Mas isto não me surpreende, é já habitual na forma de estar do presidente da Câmara de Santa Cruz, que nunca é muito concreto nas explicações. Não responde aos requerimentos que fazemos para esclarecimento de vários assuntos, as atas da Assembleia Municipal não estão disponíveis no site e desde 2016 que não liberta os relatórios da atividade municipal”.

Seis milhões “apagados” da dívida

As críticas à atual gestão autárquica não ficam por aqui. Cláudio Torres fala da sociedade de advogados, “que inicialmente foi incumbida de fazer uma auditoria à Câmara e o próprio JPP pediu dinheiro à população para pagar essa mesma auditoria – dinheiro sobre o qual nunca ninguém prestou contas – e depois utilizou uma estratégia de litígio com fornecedores, alguns representando pequenas empresas do concelho, retirando esse montante da dívida, de 6 milhões de euros, que são mais agora devido aos juros, por representarem processos em tribunal, sujeitos a decisão final posterior, dando assim a ideia que a dívida diminuiu. Filipe Sousa apagou esses 6 milhões da dívida, mas mais tarde ou mais cedo terá que pagar. E com custos acrescidos. Até porque esta sociedade de advogados, neste caso de Santa Cruz e até ao momento, não ganhou qualquer processo. Mas mais grave que isso, quando foi adjudicado este serviço, essa sociedade de advogados nem estava criada juridicamente, só o foi dois ou três dias depois”.

PS assume compromisso de baixar o preço da água

São oito as candidaturas que irão a votos. Uma dispersão que pode não dar para ninguém. Cláudio Torres não está muito preocupado. Diz apenas que “mais importante do que os resultados é darmos o máximo ao longo da caminhada. E se dermos esse máximo, os resultados vão aparecer. Se eu conseguir esclarecer a população e desconstruir aquele que é o discurso do atual presidente, que é o exemplo da política fogo de artifício, que usa as primeiras páginas dos jornais mas nunca efetiva as obras, então eu ficarei satisfeito”.

Perda de água já vai em 80 por cento

No contexto da campanha, o candidato refere já estar a desenvolver uma ação de junto das populações, “mas não fechamos os olhos aos meios tecnológicos para fazer chegar a mensagem ao maior número de pessoas”. Um ponto que é, também, fulcral: a perda de água que já vai em 80 por cento e “é preocupante”. Afirma que se for eleito para a gestão da Câmara, fica já o compromisso de que “iremos baixar o preço da água”. E mais: “Filipe Sousa assumiu o compromisso de colocar no Orçamento um valor para monitorização relativamente às perdas de água, mas qual o nosso espanto que, em 2016 não havia qualquer verba. Mais uma vez recorreu aos jornais para fazer notícia, mas não concretizou”.

PS tem equipa credível

Por isso, lança o alerta à população: “De um lado está o JPP e do outro está o PSD. A população não pode estar confinada a estas duas opções, o PS assume-se como alternativa com uma equipa credível, com visão, sustentada e sustentável, de futuro para o concelho, e com uma forte componente da sociedade civil entre os seus candidatos. Mais de metade das listas que vamos apresentar não são militantes do PS. Queremos passar Santa Cruz de concelho dormitório para concelho gerador de emprego”. E para isso, afirma ter “um pacote de medidas de grande alcance”.