Marinha apresentou capacidades de monitorização do sistema “Costa Segura” na Região

Fotos: Rui Marote

A Marinha realizou hoje nas instalações do Centro de Operações Marítimas da Madeira, na Capitania do Porto do Funchal, uma demonstração aos jornalistas, das capacidades das estações do Sistema Costa Segura, instaladas na Madeira e nas ilhas Selvagens.

Visível do centro de comando através de câmaras apontadas para a frente mar do Funchal, o NRP Auriga, uma lancha hidrográfica, simulou tratar-se de um pesqueiro com uma avaria nas máquinas, solicitando assistência via rádio. Recebida a mensagem, logo foram enviadas duas embarcações para o local, com o objectivo de prestar assistência, sendo estas duas lanchas, uma da Polícia Marítima, outra do Instituto de Socorros a Náufragos, que se aproximaram rapidamente do navio. Também em prontidão estava o navio-patrulha Zaire.

Imagem visivel num écran no centro de controlo

Conforme explicou o vice-almirante Luís Sousa Pereira, director geral da Autoridade Marítima e comandante geral da Polícia Marítima, que foi o porta-voz desta demonstração à comunicação social, a Capitania tem meios para socorrer embarcações com problemas do foro técnico-mecânico, e caso se provasse necessária esta assistência, a mesma seria accionada. A Capitania do Porto do Funchal, garantiu, também está apetrechada para prestar outros tipos de ajuda ou socorro que fossem eventualmente necessários.

Na sala de comando das operações marítimas, o vice-almirante mostrou aos representantes da comunicação social como funciona a recepção de mensagens e de pedidos de socorro ou apoio marítimos, e o modo como as autoridades estão capacitadas a analisar as situações e a manterem-se informadas das mesmas.

O sistema Costa Segura, adiantou, está já operacional em múltiplas localidades da Região Autónoma da Madeira, nomeadamente no Funchal, na Ponta de São Lourenço, nas Selvagens e ainda na Ponta do Pargo, sendo que esta última estação já se encontra instalada e estará brevemente operacional.

Relativamente à instalação deste sistema nas ilhas Selvagens, Luís Sousa Pereira salientou que o mesmo permite acompanhar em tempo real o que lá se passa, com o recurso a câmaras que, inclusive, estão também instaladas na Selvagem Pequena. Como se sabe, existe um posto permanente da Polícia Marítima agora instalado na Selvagem Grande, e no qual a Autoridade Marítima tem vindo a investir significativamente, em termos de melhorias das instalações. Agora existe lá uma lancha rápida anfíbia semi-rígida, com condições para se autopropulsionar para fora da água subindo e descendo uma rampa que conduz a um abrigo no qual a mesma é resguardada das intempéries. Essa autonomia aumenta significativamente a facilidade das operações e o tempo de reacção, caso haja a necessidade de os polícias marítimos se deslocarem a algum local nas proximidades, inclusive, à Selvagem Pequena.

A capacidade de ampliação das câmaras lá instaladas é boa e permite uma monitorização eficaz das pessoas que desembarquem; tanto é possível monitorizar bem as águas em seu redor, como quaisquer indivíduos que lá desembarquem, garantiu o vice-almirante, e inclusive gravar as imagens, num ângulo de 360 graus.

Por outro lado, um radar instalado na Selvagem Grande permite detectar e identificar embarcações, transmitindo esses dados para as instalações da Capitania, no Funchal.

O tempo de reacção da Polícia Marítima em relação a qualquer actividade na Selvagem Pequena é de apenas vinte minutos, disse o vice-almirante, que admitiu que tal pode não ser suficiente para deter eventuais lanchas rápidas espanholas que para lá se desloquem a partir de Canárias, mas que considerou certamente suficiente para, pelo menos, identificar as embarcações ou actuar de forma preventiva e dissuasora de eventuais ilícitos.

O responsável da Autoridade Marítima e da Polícia Marítima realçou também na oportunidade o grande investimento que a Marinha tem feito na melhoria das condições de habitabilidade dos agentes da autoridade destacados para as Selvagens, que hoje dispõem de numerosas comodidades, entre as quais se incluem uma dessalinizadora e telefone, impensáveis há anos atrás.