Crónica Urbana: Ter guarda-fato e não ter cama para dormir

 

 

Rui Marote

Esta imagem do quotidiano da nossa cidade é uma reflexão e um grito de alerta à pobreza que alastra no mundo de hoje, e à qual não é, infelizmente, estranha a nossa Região.

Será que os cacifos anunciados pela Câmara do Funchal resolverão o problema…! O que terá este homem para guardar ? Os cartões onde dorme? O cão, seu fiel amigo? Os sonhos que vão na sua cabeça?
À porta das nossas casas, surgem brigadas da Câmara, preocupadas em saber se as pessoas têm cão, gato ou outro animal de estimação, se estão vacinados, se têm trela, um questionário sem fim.
Entretanto pelas ruas vagueiam sem-abrigo com carrinhos de supermercado, como se fossem carrinhos de bebé, com dísticos  até em Inglês pedindo ajuda para os cãezinhos e gatinhos que são exibidos pelas ruas do Funchal e fotografados como se fosse um Jardim Zoológico.
Há que tenha sido mordido por alguns cães de “guarda” desses sem-abrigo (sim, não são todos amistosos como o da foto) e que tenha tido de  dirigir-se a uma clínica para levar uma injecção.
Mas todos acham graça a esse desfile de animais que não cumprem as regras aplicadas a todos os cidadãos com animais (a começar pela obrigatória trela). Há sem-abrigo que passeiam com cães soltos em matilha e os deixam à vontade para chatear quem passa no centro do Funchal; outros há que passeiam animais que parecem narcotizados pela cidade em carrinhos com guarda sol, protegendo os animais dos raios ultravioleta.
Tudo isto está invertido. Bate-se nas casas das pessoas a incomodar os cidadãos, quando deveríamos começar pelo que está desfilando pelas artérias do Funchal: aí é que começa o trabalho de casa. Voltamos a bater na mesma tecla: porque não um albergue mais adequado para que essas pessoas passem a noite, e tenham mais apoio e uma cama em vez de guarda-fato?