‘Capelas ao luar’ levou 200 pessoas à capela junto à Assembleia Regional

Fotos DR.

Cerca de duas centenas de pessoas estiveram ontem à noite no arranque da edição de 2017 das Capelas ao Luar, uma iniciativa da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura através da Direção Regional da Cultura.

A primeira atividade do projeto levou pessoas de todas as idades, e várias nacionalidades, à Capela de Santo António da Mouraria (junto à Assembleia Legislativa da Madeira), num momento abrilhantado pela atuação de 5 músicos da Orquestra Clássica da Madeira que apresentaram obras de música barroca (Dietrich Buxtehude e J. S. Bach).

Depois do momento musical, seguiu-se a visita guiada à Capela erigida em 1715 e que identifica o gosto barroco da arquitetura religiosa madeirense, observável no seu portal com efeitos perspéticos.

Foi sublinhado no evento que esta capela é um bom exemplo da recuperação patrimonial que tem vindo a ser desenvolvida na Região, tendo em conta que esteve votada ao abandono durante largos anos, até que foi intervencionada.

Na próxima sexta-feira, dia 21, a partir das 21 horas, há nova atividade, desta vez na Capela de Nossa Senhora da Vitória, uma pequena ermida construída junto à ribeira dos Socorridos, que deu nome ao sítio, e pouco conhecida por muitos madeirenses.

Data a sua construção primitiva do final do século XVI, pois em 1599 é já referida. Foram seus fundadores D. Guiomar do Couto e Francisco Bettencourt de Sá, seu marido, que naquele lugar tinham morgadio desde 1594, que deixaram a capela e seus bens vinculados a Gaspar Bettencourt e sua mulher, D. Guiomar de Moura, em 1604, incluindo as terras, casas e engenho, nos arredores da ermida. Desde sempre os instituidores determinaram que a capela deveria estar bem ornada com frontais, vestimentas, castiçais, lampadários e mais objetos de prata.

A Capela de Nossa Senhora da Vitória sofreu várias campanhas de obras, destacando-se as efetuadas entre o final do século XIX (1873) e princípios do século XX (1900). No entanto, a capela mantém-se alpendrada, como foi comum nas antigas ermidas, embora com intervenções recentes. Tem porta em arco, executada em cantaria, e no interior apresenta restos de azulejos do século XVII e possui várias imagens religiosas.

Mas é o seu retábulo, pintura a óleo sobre tábua datada do início do século XVII, que merece particular atenção. Representa esta pintura a “Coroação da Virgem” pela Santíssima Trindade e deverá ser proveniente de uma boa oficina nacional, revelando as favoráveis condições económicas dos seus comitentes.

A visita guiada a esta capela estará a cargo de Rita Rodrigues, sendo que a visita será precedida por um apontamento de música renascentista onde serão apresentadas obras de M. Marais, J. Ciconia, W. Byrd, W. Cornysh, T. Elsbeth, F. Guerrero e C. Monteverdi.

Eduardo Jesus, Secretário Regional da Economia Turismo e Cultura, recorda que o projeto Capelas ao Luar, da responsabilidade da Direção Regional de Cultura, “tem como objetivo promover visitas guiadas a espaços, neste caso concreto a capelas, que não estando normalmente abertos à população, são exemplo importante e parte integrante do vasto panorama artístico e patrimonial da Região”.

Como tal, acrescenta, merecem ser divulgadas junto dos madeirenses e porto-santenses, “sobretudo neste formato em que as visitas guiadas são enriquecidas com momentos musicais a cargo de elementos da Orquestra Clássica da Madeira, o que torna estas atividades ainda mais interessantes e convidativas à participação”.

Tal como na primeira edição, todas as ações das “Capelas ao Luar 2017” são de acesso gratuito, mas carecem de inscrição prévia através do endereço capelasaoluar.drc@gmail.com.

O programa da edição deste ano inclui um total de seis atividades nos concelhos de Funchal, Santa Cruz, Calheta e Porto Santo, a decorrer até 20 de maio, sempre a partir das 21 horas.