Engenheiros debatem até que ponto a RAM está preparada para enfrentar eventos extremos

A Ordem dos Engenheiros – Região Madeira está a prover, esta tarde,, na Reitoria da UMa, no Funchal, mais uma sessão do ciclo “Conversas com a Sociedade”, dedicada ao tema “Vulnerabilidades da RAM a eventos extremos – Estamos preparados para o próximo?”. O encontro, o terceiro realizado pelo actual Conselho Directivo da RAMOE, voltou a assumir como prioridade aproximar a engenharia das populações e promover o debate público sobre desafios estruturais da Região, refere um comunicado.

A presidente da RAMOE, Beatriz Jardim, declarou que os fenómenos extremos recorrentes na Madeira devem estar no centro da avaliação de riscos, do planeamento territorial e da preparação das infraestruturas. “As tempestades são inevitáveis, mas muitas vulnerabilidades podem ser evitáveis”, disse.

Entre os especialistas convidados esteve Pedro Garrett, co-fundador da empresa portuguesa 2adapt, especializada em adaptação climática e avaliação de riscos. O keynote speaker alertou para a aceleração das alterações climáticas e recordou que o planeta já atingiu cerca de 1,4ºC de aumento da temperatura média global em 2025, ultrapassando mesmo os 1,5ºC na média dos últimos três anos — um valor considerado crítico pela comunidade científica desde o Acordo de Paris.

O especialista disse ainda que 90% do excesso de energia provocado pelo aquecimento global está a ser absorvido pelos oceanos, comparando este impacto energético à libertação de “quatro bombas de Hiroshima por segundo” ao longo dos últimos 25 anos. Conforme explicou, é precisamente este desequilíbrio energético que intensifica fenómenos meteorológicos extremos.

Os dados apresentados revelam também um agravamento significativo dos impactos económicos em Portugal. Enquanto nas décadas de 1980 e 1990 os prejuízos médios anuais associados a eventos extremos rondavam os 70 milhões de euros, entre 2000 e 2023 esse valor aumentou para cerca de 630 milhões de euros por ano.

Relativamente à Madeira, Pedro Garrett destacou que a Região possui mais de duas décadas de trabalho na avaliação dos impactos das alterações climáticas. As projeções climáticas mais recentes apontam para uma redução média da precipitação entre 24% e 65% até 2100, aumento da temperatura média até 2ºC em 2050 e entre 3,1ºC e 4,9ºC até ao final do século, sobretudo nas cotas mais elevadas, além do crescimento da frequência de precipitação extrema e fenómenos de seca.

O conferencista recordou ainda os impactos do temporal de 20 de Fevereiro de 2010 e comparou-os com os episódios registados a 6 de junho de 2023. Segundo explicou, os cerca de 120 milhões de euros investidos em obras de adaptação, drenagem, gestão de encostas, sistemas de alerta e monitorização permitiram aumentar significativamente a resiliência do território e reduzir danos, mesmo perante eventos de precipitação superiores.

Durante a sessão foram também apresentadas ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela 2adapt, como a Riskcore e a Adapt to Risk, destinadas a apoiar decisões informadas na identificação de vulnerabilidades associadas a cheias, inundações e deslizamentos de terras, conclui o comunicado.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.