Pequena embarcação luta durante três horas com atum de 317 quilos

O pescador e o pequeno atuneiro que, este domingo, trabalharam arduamente na captura de um grande atum.

“Quando puxámos a linha parecia que se trazia o fundo do mar todo até cá cima”. As palavras são de José Nélson, um dos cinco tripulantes do pequeno atuneiro “Pérola do Norte” que este domingo apanhou um atum “rabilho” com 317 quilos, ao largo da Ribeira Brava.

A comparação é simples, mas serve para perceber o esforço que a tripulação teve de fazer durante três horas para capturar o tunídeo de significativas proporções, descarregado esta manhã na Lota do Caniçal. Um dos mais pesados desde que começou a época do atum.

Já depois de analisado e pesado, o peixe segue para câmara frigorífica.

Se a sorte bafejou o pequeno atuneiro de cerca de 7 metros, devido à rapidez com que o peixe “mordeu o isco”, a tarefa de dominá-lo e transportá-lo para bordo foi árdua. O processo implicou muita paciência e dedicação total por parte da diminuta tripulação. Cinco pares de braços para mais de 300 quilos de força, em alto mar, significaram muito suor. Durante três horas, homens e animal mediram forças, com os pescadores a levarem a melhor no final.

Dada a envergadura do espécime, foi necessário rebocá-lo até ao cais da Ribeira Brava, onde uma grua fez depois o trabalho de transbordo para a embarcação. Aí, com a valiosa carga já acondicionada no gelo, o “Pérola do Norte” fez-se a caminho da Lota do Caniçal, trazendo ainda no porão outras espécies de atum, nomeadamente “patudo”, conforme estipula a lei, dado o caráter de captura acessória que impende sobre a espécie protegida “rabilho” ou rabil (Thunnus thynnus ).

“Pérola do Norte”, o pequeno atuneiro que marcou o dia.

“Foi uma boa pescaria. Estávamos numa mancha de atum e não foi preciso esperar muito tempo. Quando chegámos à boia ele ainda estava vivo. Depois foram três horas a trabalhar duro, mas valeu a pena”, conclui José Nélson com um sorriso na face cansada. Há dois anos na faina do atum, a captura deste último domingo fica para registo, já que foi a primeira envolvendo um animal destas proporções com recurso à linha.

A satisfação dos tripulantes era visível, tanto mais que as análises iniciais ao animal indicavam um alto grau de integridade e de frescura, o que iria na certa beneficiar a transação comercial.

As dimensões surpreenderam quem acompanhou a descarga do magnífico exemplar.

A Lota do Caniçal tem registado, aliás, um movimento acrescido na descarga de tunídeos ao longo das últimas semanas. Esta segunda feira, não foi diferente. O ambiente era de grande azáfama, com muitas embarcações a descarregar pescado e outras já na calha para as próximas horas.