Edgar Silva critica postura “saloia”, “bacoca” e “provinciana” como se quer dar a tudo o nome de Cristiano Ronaldo

foto LR

A Assembleia Legislativa Regional principiou hoje o seu período de antes da ordem do dia com a discussão de três votos de congratulação, da autoria do PSD, PS e CDS, pelo facto de o jogador de futebol Cristiano Ronaldo se ter sagrado,  mais uma vez, o melhor jogador do mundo. Rui Barreto, do CDS, inaugurou as loas ao jogador considerando-o “talvez como o cidadão do planeta mais conhecido em todo o mundo”, um profissional do futebol ao qual faltam hoje os adjectivos,  para classificar, disse. Foi secundado por Avelino Conceição,  do PS, que enalteceu o madeirense que “tem levado a imagem da Madeira ao resto do mundo” e cuja persistência e capacidade de trabalho,  afirmou, são já uma referência.

Fotos Rui Marote

Carlos Rodrigues, do PSD, classificou-o por seu turno como “o exemplo que todos gostaríamos de ser”, pelo talento inato mas também pelas características de abnegação e persistência.

Até José Manuel Coelho,  do PTP, declarou que “devemos aprender muito” com o profissionalismo de Ronaldo, aproveitando para criticar a falta desse mesmo profissionalismo nas entidades camaralobenses e governamentais que permitiram a construção de habitação social numa zona sujeita a quebradas e deslizamentos de terras e rochas – alusão ao que aconteceu ontem num bairro social da localidade.

Carlos Costa, do JPP, sublinhou por seu turno as prestações de Ronaldo e o seu número de golos marcados, realçando que ficará imortalizado “como um dos maiores futebolistas de todos os tempos”.

Edgar Silva, do PCP, é que já não alinhou pelo mesmo diapasão. Reconhecendo a competência de Ronaldo como desportista, e o seu mérito e capacidade de trabalho, declarou todavia que estas características não são exclusivas dele, mas são partilhadas por tantos outros dos nossos cidadãos.

O PCP reconhece a sua trajectória de glória,  mas tem dificuldade,  disse, em associar esse reconhecimento à forma “bacoca”, “saloia” e “provinciana” como se atribui o seu nome a tudo e mais alguma coisa,  incluindo aeroportos.

Já o deputado independente Gil Canha considerou preferível que o nome de Cristiano Ronaldo seja dado ao aeroporto,  que considerou muito melhor do que dar o nome de governantes do tempo de Jardim a escolas. Isso,  em seu entender, é que denota espírito saloio. Alertou,  no entanto,  para o facto de que Ronaldo só teve sucesso porque saiu da Madeira, caso contrário teria sido preterido face aos “contentores” de jogadores estrangeiros que são periodicamente transaccionados pelos presidentes de clubes.

Finalmente,  Roberto Almada, do BE, também considerou que é melhor dar o nome de Ronaldo ao aeroporto, do que lhe atribuir o nome de Alberto João Jardim… e avisou o parlamento de que não contassem com ele para cantar loas ao jogador,  até porque não tem voz para isso…

Antes desta discussão em torno do jogador madeirense,  o deputado do PSD José Gonçalves abordara o problema da obesidade infantil, apelando a  um modelo de educação física e motora para combatê-lo, como modo de inclusão integral na sociedade e de combater o sedentarismo das crianças e a sua obsessão por videojogos e novas tecnologias, que se reflectem negativamente no seu desenvolvimento.

Edgar Silva, do PCP,  fez depois a apologia da utilização da língua gestual portuguesa nos meios de comunicação,  inclusive na transmissão das sessões parlamentares madeirenses.