Roberto Almada critica “balbúrdia” no sector de saúde mental na RAM

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O Bloco de Esquerda deu hoje uma conferência de imprensa para abordar “a balbúrdia que se vive no sector de saúde mental da Região”. As palavras duras de Roberto Almada precederam a abordagem da demissão do director do Serviço de Psiquiatria do Serviço Regional de Saúde. “Com esta demissão, ficou apenas um médico psiquiatra naquele serviço, médico psiquiatra esse que sai no final deste mês, de acordo com informações veiculadas também pela comunicação social”, disse o deputado bloquista, concluindo que no final de Janeiro a Região corre o risco de ter um serviço de psiquiatria do SRS “perfeitamente desmantelado (…) sem qualquer capacidade de respostas para os cerca de 1500 doentes que eram atendidos naquele serviço, e que neste momento estão entregues à sua sorte”.

Para Roberto Almado, tudo isto configura “irresponsabilidade” por parte dos responsáveis pelos serviços públicos de saúde na RAM, que já vem de longe, pois não é de agora que “os psiquiatras começaram a debandar do Serviço Regional de Saúde”.

O BE salienta que foi o primeiro partido a denunciar, dentro e fora do parlamento, esta situação e por isso hoje interroga que futuro terão estes doentes que necessitam de atendimento. “São pessoas que sendo acompanhadas, podem ter uma qualidade de vida muito aceitável, mas não o sendo, facilmente entram em descompensação e têm problemas gravíssimos”.

O Bloco questiona-se em que medida esta “balbúrdia” nos serviços de psiquiatria do SRS tem contribuído para que, nos últimos tempos, “tenhamos tido um aumento das tentativas de suicídio e um aumento considerável dos suicídios efectivamente consumados, e também um aumento considerável das tentativas de homicídio (…)”. Os bloquistas dizem não querer afirmar nada, mas dizem recear que estas lamentáveis situações decorram da falta de um eficaz acompanhamento psiquiátrico ao nível da saúde pública.

Aquele partido prometeu, pois, levar ainda hoje à comissão de Saúde da ALRAM um requerimento para ouvir com carácter de urgência o actual secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, sobre esta matéria. “Temos muitas perguntas para fazer”, referiu.

O BE quer saber, por exemplo, porque não pode existir no Hospital Dr. Nélio Mendonça uma ala para internamentos psiquiátricos e denunciou que estes internamentos apenas acontecem em casas de saúde privadas, “que recebem dinheiro do erário” para garantirem o serviço que o SRS não garante.


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