Na minha prática clínica, constato que muitas pessoas querem adotar animais porque em determinada fase da vida encontram-se sós. Ou porque se separaram. Ou porque os filhos saíram de casa. Ou porque ainda não os têm. Sentem a necessidade de recrutar os seus sentimentos para alguém.
Arranjam um novo amor. Têm filhos. Ou netos. E os animais, infelizmente, passam para segundo plano. Ou terceiro. Começando a vê-los como a legislação os via: como objetos.
Volta e meia, tenho donos que outrora amaram muito os seus animais e que pelos motivos acima mencionados, decidem dá-los ou abandoná-los… Animais que amam os seus proprietários e que jamais lhes fariam tal coisa. Porque foram úteis enquanto puderam. Porque amaram incondicionalmente. E continuam a amar. São seres que nos dão muito, em troca de nada. O problema é esse. Mas agora os seus donos têm outro amor.
A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar – todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas.
Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco seres. É preciso saber partilhar e gerir o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitos. Compreendo! Mas grande parte das vezes, eles já existiam. Não deixam de existir com a introdução de um novo membro na família.
Os animais são seres sencientes. Sentem tudo da mesma forma, ou com maior intensidade que nós. Sentem que estão a ser abandonados. Descartados.
Porque melhor que o amor por um animal, é partilhá-lo com a nossa família, com os nossos filhos, com os nossos companheiros, com os nossos amigos.
Que 2017 traga mais legislação e mais proteção para os nossos animais!
Que 2017 faça de nós pessoas melhores!
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