Desarticulação entre Marinha e Sanas prossegue no socorro no mar

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A historicamente fraca articulação entre os meios da Autoridade Marítima e o SANAS aparentemente continua, depois de muitos anos. Conforme fontes ligadas ao meio marítimo regional mencionaram ao Funchal Notícias, e conforme o FN confirmou posteriormente junto de Emanuel Silva, comandante operacional do Sanas, a evacuação do tripulante da embarcação de pesca costeira ‘São Luís Gonzaga’, que se verificou no dia 8, junto ao Ilhéu Chão das Desertas, não terá decorrido da maneira mais lógica. Isto porque, segundo nos informaram, a embarcação da Capitania do Porto do Funchal que se deslocou às Desertas estava a fazer segurança a uma prova de canoagem que se desenrolava entre a Calheta e a Ribeira Brava. Ora, a dita embarcação terá abandonado a prova desportiva para chegar, uma hora depois, ao Ilhéu Chão, quando o Sanas tinha uma equipa já pronta para arrancar da estação de Santa Cruz, nas imediações do Aeroporto- e que nos asseguram que não demorava mais de quinze minutos a chegar ao local. “Mais uma vez, andam a brincar com a vida dos seres humanos”, criticam as nossas fontes.

Quanto a Emanuel Silva, esse limita-se a constatar o facto de as coisas se terem efectivamente passado desta forma. O Sanas apercebeu-se de que a Polícia Marítima ia socorrer uma pessoa necessitada de auxílio quando a embarcação abandonou a prova de canoagem – à qual aquela estrutura de voluntariado e socorro também se encontrava a dar assistência. “Temos uma equipa de prontidão 24 horas por dia, e de imediato comunicámos para colocarem o barco na água [na estação de Santa Cruz], o que foi feito em três minutos”. O Sanas tem já muitos anos de existência e agrupa um conjunto de pessoas preparadas para socorrer náufragos ou outras pessoas que se encontrem em dificuldades no meio marítimo, prestar-lhes primeiros socorros e entregá-los aos cuidados paramédicos ou médicos posteriores, trate-se dos bombeiros, trate-se da EMIR. É conhecida a disponibilidade dos seus membros. Mas a atitude proactiva, voluntária e desinteressada do Sanas tem esbarrado durante anos na incapacidade de articulação com a Autoridade Marítima, muito ciosa da preservação das suas competências e desempenho da sua missão. Ora, aqui o que se recomenda, mais que tudo, é bom senso, uma vez que aos sinistrados pouco interessa se é esta ou a outra entidade a socorrê-lo, o que interessa realmente é que isso se processe da forma mais rápida possível e de modo competente, e o Sanas já provou amplamente ser competente para isso, mais de uma vez.

No entanto, esta instituição de socorro marítimo continua a ser preterida. Ainda durante a recente regata da Extreme Sailing Series, no Funchal, quando se verificaram dois mortos por afogamento no Porto da Cruz, mais uma vez foi a Marinha a acorrer ao local, quando era o Sanas que se encontrava mais perto, não tendo sido solicitada a sua intervenção. Um confronto institucional que dificilmente se compreende, que já dura há muito e que parece não ter melhorado durante o consulado do actual comandante do Porto, Félix Marques.

Neste novo caso, da Ponta do Sol ao Ilhéu Chão, são 30 milhas, e a Polícia Marítima acabou por demorar cerca de 50 minutos a lá chegar, depois do alerta ter sido dado às 15.50 do dia 8. Ora, da estação do Sanas em Santa Cruz ao Ilhéu Chão, são 13 milhas. Para lá chegar, no máximo, o Sanas demoraria 25 minutos, asseveram os seus responsáveis.

Entretanto, a referida prova de canoagem acabou às 18 horas. A Autoridade Marítima não regressou ao local, sendo a segurança da prova assegurada apenas pelas embarcações do Sanas presentes.

O coordenador operacional do Sanas, entretanto, sublinha que existe um protocolo entre o Sanas e a Autoridade Marítima, celebrado em Abril do ano passado, e que tem precisamente o objectivo da utilização dos meios mais próximos e eficientes do local do sinistro. Mas, garante, esse protocolo não está a ser cumprido – pela Marinha.


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