Leia a carta aberta que os bananicultores enviaram a Miguel Albuquerque a expressar revolta

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Fotos arquivo FN.

Os associados da Associação de Bananicultores da Madeira – ABAMA dirigiram uma carta aberta ao presidente do Governo Regional, a que o FN teve acesso, e a publica na íntegra. Um clima de total descontentamento perpassa os bananicultores.

“Ao Excelentíssimo Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira
Dirigimo-nos a Vossa Excelência, na pretensão de, com esta carta, conseguirmos alertar para a necessidade de a GESBA acabar, de uma vez por todas, com a distribuição de dividendos para com os sócios da mesma, direcionando esses recursos financeiros para os bananicultores da Madeira, bem como evitar o drama que se verificou este ano, um pouco por todo o lado, de as bananas não terem sido recolhidas, ficando até 8 semanas a se perderem na terra.
A Secretaria Regional da Agricultura e Pescas veio este ano, na Assembleia Legislativa da Madeira, afirmar que para o ano de 2017 os lucros seriam distribuídos pelos bananicultores madeirenses, no entanto, não compreendemos qual a razão de tal não ser feito desde 2011, ano em que a GESBA pagou a última prestação dos empréstimos, liquidando assim as dívidas que a RAM através da GESBA, se comprometeu a pagar.
O Secretário Regional da Agricultura e Pescas defendeu-se da incompetência da GESBA dizendo que esta teria sido apanhada de surpresa “face ao inusitado e atípico aumento de produção de banana no mês de agosto”, referindo ainda que a demora para a recolha da banana se deve a um aumento de produção de 35% em relação ao ano anterior, mas tal afirmação não é aceite por nós, pois a Direção Regional da Agricultura e Pescas da Madeira indicou, em maio deste ano, que a produção de banana era superior em 21,17% em relação ao ano de 2015, tendo mesmo o próprio executivo de Vossa Excelência confirmado que este seria um “ano excecional de produção de banana”.

Logo, deduzimos que a GESBA procura reduzir os custos de verão, ao não recolher a banana, pois os preços de venda nesta época são conhecidamente baixos.
BANANA PRINCIPalA gerência da GESBA tem vindo insistentemente a fugir dos bananicultores, não atendendo telefones, recusando audiências, virando as costas, quando confrontada com os problemas que os bananicultores lhe apresentam. Das vezes em que não podem fugir às nossas queixas e dúvidas são mal-educados, com respostas no mínimo maliciosas em que recusam responsabilidades, mandando-nos por exemplo “enterrar a banana”.
Como se não bastasse o mau trato aos bananicultores, indignamo-nos com as condições que são impostas aos funcionários da GESBA que trabalham diretamente com a banana, em que são mal pagos, mal tratados, ameaçados e obrigados a fazer horas extra a 1,20€.
O atual Secretário Regional da Agricultura e Pescas referiu que “a GESBA está, neste momento, a vender a banana para o mercado continental abaixo do preço de custo”. Não refere, por outro lado, que as contas não batem certas, pois se esquece de referir os 44 cêntimos de apoio comunitário à produção e os 11 cêntimos de apoio à exportação. De apoio à produção. A GESBA ao vender a banana a 65 cêntimos e ao receber 44 mais 11 cêntimos, nunca poderá ter prejuízo no verão. Exigimos que apresentem as contas que demonstrem o contrário.
Recordamos que os bananicultores da Madeira ainda não esqueceram as suas promessas eleitorais, antes de tomar o cargo de Presidente da Região. Promessas de acabar com a ditadura da GESBA, melhorando o setor da banana. Lembramos que na realidade nunca se experienciou um ano como este em que tanta banana ficou perdida encima da terra, nunca foi recolhida tanta banana sem condições de ser exportada, apenas para apaziguar a mente dos produtores, para não falar na banana que ficou em cima dos camiões 2 a 3 dias a se queimar ao sol.
Somos pessoas de bem, que pagam as suas contas e impostos, trabalhadores e humildes, no entanto, não admitimos que sejamos explorados pelo Governo Regional.
Pelo bem da agricultura na Madeira, pelo bem da paisagem da ilha, pelo bem da saúde dos madeirenses e portugueses, pelo bem da nossa tradição agrícola, pelo bem da nossa gastronomia, os bananicultores madeirenses esperam de si a resolução imediata destas situações que estão a destruir o setor da banana. Estamos também disponíveis para quaisquer esclarecimentos adicionais que entenda necessitar.

Funchal, 09/09/2016

Os associados da ABAMA”


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