
Fotos: Danilo Matos
O engenheiro civil Danilo Matos continua a denunciar o que está a acontecer às históricas pontes sobre as ribeiras do Funchal. Num ‘post’ colocado há pouco nas redes sociais, denuncia “mais uma mentira”, relacionada com o que se passa na ponte da Saúde, frente ao Jardim de Santa Luzia.

“Uma ponte”, refere, “condenada à destruição, por razões estruturais e de constrangimento hidráulico – dizem os autores do projecto e o Governo Regional concorda com a sentença”.
Porém, Danilo Matos contraria, dizendo que, por razões estruturais, não será com certeza. A escavadora que se encontra em cima da ponte pesa 10 toneladas, refere, e em operação, como era o caso, desenvolve outras solicitações adicionais.

“Assisti, assim, ontem à tarde, àquilo que em engenharia se chama um ensaio de cargas. A ponte não caiu. Está perfeita. Nem podia cair, eu já sabia. Será, então, pela secção de escoamento? Também não. O leito pode e está a ser rebaixado, muito embora, em mais de 150 anos, não haja registo de qualquer constrangimento ou bloqueio hidráulico. A ponte, em arco perfeito de cantaria, arranca, e as fotografias mostram isso muito bem, em cima de um maciço basáltico. Reforçar as actuais fundações para rebaixar o leito da ribeira constitui um exercício que qualquer estagiário, à saída da escola, está em condições de calcular”, diz este activista do património.

O mesmo recorda, a propósito, que em Agosto de 2011, a CMF, em parecer assinado pelo vereador Bruno Pereira, transmitia ao GR a sua concordância com a demolição e até pedia o seu alargamento de 6,50 para 9,75 m. “O mesmo parecer que concordava igualmente com a demolição da Ponte Nova”, acrescenta.
Para Danilo Matos, o que está a ser feito em nome da segurança é uma forma demagógica de justificar o injustificável, assustando as pessoas. O perigo, para ele, não está ali, mas a montante, a cerca de 30 metros, com a bomba de gasolina em cima da ribeira. “Então eu pergunto, depois desta demonstração para mim evidente, não será que querem demolir a ponte para defender a estação de combustíveis da Galp? Se não é, deixem a nossa ponte em paz”, exorta. “E mandem desactivar a bomba, para evitar o que aconteceu no Campo da Barca, no 20 de Fevereiro de 2010”.

Danilo prossegue para lembrar que a ponte da Saúde data da altura em que foi construído o engenho do Hinton, cerca de 1860. “Com a ponte do Cidrão (já sacrificada), a D. Manuel e a Ponte Nova, formam um conjunto de grande valor simbólico, patrimonial, cultural e histórico, que tem de ser salvaguardado”, apela.
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