“Inércia” na gestão da saúde e braço de ferro com a direção clínica ditaram demissão em bloco

Foto: sulinformação.pt

“Inércia”. É a palavra com que vários médicos de diferentes especialidades classificam ao FN a situação atual da gestão da saúde hospitalar na Madeira por parte do SESARAM. Mas não só: “Um indisfarçável braço de ferro entre a então presidente do SESARAM e a direção clínica de Eugénio Mendonça”.

Nos últimos tempos, com o ciclo governativo de Albuquerque, o diálogo passou a imperar e a perspetivar melhorias no horizonte. Mas acontece que as propostas de melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde são apresentadas pelos diretores de serviço, registadas com a aparência de que terão sequência mas, depois, “tudo pára” e fica no papel. Este é “o sentimento geral” expresso ao FN por médicos que preferem não se identificar “para não terem retaliações do sistema”.

Este vazio, acrescido de um “clima de saturação”, fez estalar o verniz e determinou a demissão em bloco de todos os diretores de serviço e direção clínica. Por informação errada que foi facultada ontem ao FN, afirmámos que o diretor do serviço de ortopedia tinha sido o único a não colocar o seu lugar à disposição, quando efetivamente se solidarizou logo com a direção clínica e também apresentou a sua demissão.

Miguel Albuquerque reagiu célere ao que poderia ser uma “hecatombe”, nomeando de imediato a sucessora da presidente Lígia Correia, Maria Monte, deitando assim água neste braseiro e fazendo os olhares caírem não sobre os demissionários mas sobre a senhora que se segue à frente do SESARAM.

EXTERIOR DO HOSPITAL DR. NELIO MENDONCA / NOVO NOMENCLATURA 21/01/2015 FOTO ALBINO ENCARNACAO..

“Pesada herança”

A “gerigonça” em que se transformou a gestão da saúde na Madeira soma anos consecutivos. A “pesada herança” transitou para as mãos da era Albuquerquista com a intenção deste de pacificar os ânimos, em diálogo com os médicos. Mas o estado de graça passou e os diferentes protagonistas querem menos promessas e medidas concretas no terreno.

O passo da concretização das medidas urgentes, em alguns casos, tarda em ser dado. Os médicos queixam-se de “uma gestão contabilística da saúde”, até mesmo desconfortável para a direção clínica que acaba de sair de cena.

Da parte de quem gere a saúde, o bater de frente com muitos “vícios instalados no sistema”, quer por parte de médicos que querem simultaneamente “privilégios e pouco trabalho no setor público”, quer nas “cumplicidades e interesses com a medicina privada a que estão historicamente ligados”. Cumprir exigências orçamentais num setor muito sensível como a saúde esbarra desde logo com “uma máquina pesada, dispendiosa e que rebenta com qualquer escala contabilística”.

Miguel Albuquerque veio a público assumir as responsabilidades desta crise, mas os médicos reafirmam ao FN que querem “mais medidas concretas no terreno”. nomeadamente a  “disponibilização de materiais adequados e idóneos nos serviços e o pagamento correto e atempado das horas extraordinárias”.

Bem recentemente, uma responsável pelas análises clínicas do SESARAM alertou para a debilidade de algum material técnico usado na recolha de análises, mas a crítica não terá sido bem aceite pela hierarquia.

Neste momento, o clima que se respira no Hospital Dr Nélio Mendonça é de apreensão face aos últimos acontecimentos e, sobretudo, de expetativa para saber quem será o próximo diretor clínico. Já são vários os nomes “queimados” neste lugar e a escolha competirá à nova presidente.

 

 

 


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