Ministro da Educação, um inexperiente ao serviço de Mário Nogueira

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Movida pela minha curiosidade quis saber quem era e qual o percurso profissional do actual Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Doutorado em Bioquímica pela Universidade de Coimbra, aluno Erasmus em Madrid, passou pelos Estados Unidos e mais tarde trabalhou no Cancer Research UK, onde se destacou na investigação oncológica e numa técnica analítica, a ressonância magnética. Ao fim de 16 anos em Cambridge, aceitou o desafio de António Costa para regressar a Portugal e ser o candidato do PS por Viana do Castelo nestas eleições.
Percebi então, a consistência das medidas governativas recentes na área da educação. Excelente investigador, sem qualquer experiência de ensino e longe da realidade do sistema educativo português. Tem o perfil que se exige a um governante? Não tem!!! Os nossos alunos não são cobaias nem “ratinhos” usados como modelos experimentais nos laboratórios de investigação. Este distinto investigador, que por acidente foi Ministro, ainda não percebeu que deixou de ser investigador e passou a governar!!
Receio que o rumo do nosso sistema educativo, seja o do facilitismo, deixando para segundo plano o rigor, a exigência e o mérito. As medidas que adoptou e a forma como as comunicou são bem o reflexo desse prenúncio.
Uma educação exigente e de qualidade proporciona cidadãos e cidadãs com uma formação sólida e consistente, mais aptos para prestarem um contributo mais qualificado para o desenvolvimento do seu país.

Os resultados que Portugal tem vindo a alcançar na área da Educação, nomeadamente, melhores médias nos exames, as classificações das escolas básicas e secundárias públicas a subirem nos rankings, o abrandamento do abandono e do insucesso escolares, fruto, é certo, de políticas sensatas adoptadas nos últimos anos, foram ignorados pelo actual Ministro. Decidiu, sem diálogo, de forma leviana, inconsequente e de total desrespeito pelos alunos, pelas suas famílias e pelos professores, alterar o actual modelo de avaliação do ensino básico. Igualmente grave, não ouviu as Associações de Pais, os diectores das Escolas, a Comissão Nacional da Educação e outras entidades envolvidas. Tal decisão, sem fundamentação e sem dar a cara, só poderá ser lida como uma decisão ideológica e política com a bênção do sindicalista Mário Nogueira (leia-se FENPROF/PCP), que aliás, já elogiou as medidas e considerou terem sido tomadas no tempo certo. Lamentável, não só, a forma como as anunciou, através de um comunicado, sem que se tenha dignado fazer uma declaração pública, mas também, a sua entrada em vigor a meio do ano lectivo.
Quase uma semana depois, afirma “É preciso corrigir depressa os prejuízos causados pelo anterior modelo educativo”. E eu digo, o Senhor Ministro não sabe do que fala, aconselho-o a que avalie os indicadores recentes sobre educação.
Uma análise retrospectiva aos sucessivos modelos de avaliação adoptados, indica que em 15 anos sofreu 15 alterações.
Reparem, com as recentes alterações, os alunos que iriam fazer o seu exame dentro de 5 meses ficaram a saber que não o farão e os que não tinham exame, ficaram a saber que terão uma prova de aferição. Acrescente-se o facto dos pais já terem comprado livros para o efeito, por recomendação dos professores.
Onde está a estabilidade para os alunos, professores, encarregados de educação, que atempadamente programaram o ano lectivo?
O novo modelo de avaliação eliminou o exame do 6º ano e introduziu as provas de aferição no 2.º, 5.º e 8.º anos, mantendo apenas os exames nacionais no 9.º ano. As provas de aferição (Matemática e Português, mas que no futuro serão em regime rotativo, alargadas a mais disciplinas) não contam para a nota, são apenas de diagnóstico, para dar informação aos pais e aos professores e também ao aluno sobre a sua aprendizagem. Com o actual modelo, um aluno só será avaliado pela primeira vez, através de um exame nacional quando tiver 14 anos, 3 anos depois estará a realizar as provas de acesso ao ensino superior, espero também que não venham a ser transformadas em provas de aferição!! Só faltava, mas com um ministro/investigador tudo é possível.
Mas não se ficou por aqui. Praticou outra enormidade. Excluíu, ou seja, anulou o exame de Inglês do Cambridge, realizado no 9º ano, por considerar inadequado ao currículo doa alunos portugueses. Esta decisão impede que todos os alunos do ensino público tenham acesso a uma certificação internacional. Resultado desta medida, só os filhos de agregados familiares com maior rendimento, poderão ter esse “privilégio”. Que medida tão discriminatória e elitista vinda de um socialista!!
E, assim, vai a educação em Portugal……


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