(Texto e foto Rui Marote) / O leiteiro remonta a uma tradição que o tempo e o progresso foram diluindo. Tratava-se de uma figura familiar que, de porta em porta, envergando um caqui acizentado e um barrete de vilão ou chapéu, lá deixava à porta de casa o indispensável leite.
Transportava o leite numas vasilhas, suportadas por um um cajado aos ombros e percorriam locais distantes como o Caniço, o Monte, a Camacha, com destino até ao Funchal, batendo de porta em porta, em qualquer estação.
O leite era bem medido e as famílias aguardavam o leiteiro à hora prevista. Havia quem pagasse à semana e, nas paredes do prédio, através de um lápis de grafiti, ficavam registados os litros servidos, como se de um livro se tratasse.
De imediato, as donas de casa ferviam o leite para que não talhasse.Uma preocupação regular e fundamental.
O tempo passou e o progresso tornou-se incontestável, fazendo desmoronar práticas antigas.Desenvolveram-se modernas técnicas de preservação do leite como a pasteurização e a refrigeração para armazená-lo mais tempo. E a figura do leiteiro pura e simplesmente desapareceu há décadas, tanto mais que a vigilância sanitária proíbe a vende de leite sem passar primeiro pelos processos atuais de higienização.
Ficam as imagens para a posteridade que aludem a um tempo em que não se mediam os sacrifícios para ganhar uns trocos e cumprir um dever muito aguardado pelas famílias.
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