Jardim questiona-se: “Para onde vais, Portugal?…”

alberto-joao-jardim-10OPINIÃO: “QUO VADIS?

Para onde vais, Portugal?…

O sistema político-constitucional propicia um espectáculo que não é surpresa para quem sempre disse não ser o sistema adequado ao nosso País.

O interessante é que não se vê aprofundar esta questão.

Procura-se dolosamente afastar o Povo da necessária reflexão sobre a organização constitucional que tantos sacrifícios nos tem imposto e que espalha tanta asneira.

À imagem da indigência político-cultural do Parlamento, perdido na aferição dos votos, quando só metade dos Portugueses foram votar, manifestamente incapaz de discutir o futuro de Portugal, como se viu no falso “debate do Programa de Governo”.

Maior do que quem pretende ser Governo, o problema reside naquela “classe política” que a televisão nos mete casa adentro.

O problema reside numa pseudo-“esquerda”, pseudo porque do mais conservador e retrógrado que existe na Europa, um partido museológico comunista que já ninguém consome, desde os países de Democracia mais elaborada até aos primitivismos fundamentalistas.

Pseudo-“esquerda”, esse “show” exibicionista, de cultura peixeiroca alfacinha, o analfabetismo queque do “bloco de esquerda”.

E depois temos o problema dos Partidos que se dizem da “área democrática”, PSD, PS e CDS, mas que hoje desembocaram no que de pior tem a partidocracia. Organizações nas mãos das mediocridades que se instalam através de recrutamento e pagamento de quotas de uma porção de indivíduos que ideologicamente nem sequer têm a ver com esses mesmos respectivos partidos.

Partidos que depois, quase sem élites, são apenas máquinas de conquista do poder e de satisfação de interesses particulares à revelia dos Valores que fizeram Portugal.

Como foi possível o PS quebrar os seus Princípios democráticos e, num Portugal que tem de consolidar a Democracia para sobreviver económico-socialmente, se colocar refém de gente que nem assim repudia a “ditadura do proletariado” – que pelo menos oitenta por cento dos Portugueses que votam e a outra metade que não vota, repudiam – só para a tal claque que conquistou o poder no partido, poder sobreviver?!…

Como é possível persistir a tradicional estupidez da “direita”, entregando o PSD e o CDS a quem estão entregues, com uma política socialmente desastrada, mal explicada, até porque errada, arrogante e radicalizante, desta forma destruindo o Centro e a classe média?

Surpreendente é ainda serem os mais votados, resultado de metade dos Portugueses terem o pudor de não votar em qualquer dos Partidos do regime.

O País está hoje na situação em que está, com este desfecho que nem é surpreendente face a tanta asneira, omissão e indigência política. Graças não só a estes Partidos-Protagonistas que temos, mas também porque o situacionismo dos interesses, controlando a “Informação”, desmotiva os Portugueses de encontrar novas soluções. Desmotiva uma reconstrução do Centro e uma mudança constitucional.

Há uma acção psicológica para incutir medo ante o ainda não exprimentado ou censurar a inovação, bem como para anestesiar o Povo num conformismo histórico.

Está pronta a passadeira vermelha para a continuação da mediocridade que nos descrevem todos os dias.

Funchal, 11 de Novembro de 2015

Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim”


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