Retornados do Toco vítimas de derrocada fatal que ficou na história

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Uma derrocada que deixou em estado de choque o Funchal.

Numa altura em que tanto se especula sobre os refugiados, o Funchal Notícias traz hoje à memória a vaga de retornados que chegou à Madeira das ex-colónias portuguesas. Alguns deles instalaram-se nas furnas que existiam na zona Toco, no Lazareto, Funchal.

Os acessos eram íngremes e as condições de vida paupérrimas mas não havia outra alternativa. Depois desta tragédia do regresso forçado, seguiu-se uma bem maior na década de 70: uma derrocada que ceifou várias vidas e que deixou em estado de choque os madeirenses.

A instabilidade da escarpa, a par da precariedade das habitações levaram as autoridades públicas regionais a implementar uma nova política de habitação social. Criaram-se condições para alojar centenas e centenas de famílias que viviam em barracas e furnas, não apenas no Toco como noutras zonas do Funchal.

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O acesso ao Toco era íngreme e penoso. Foto Rui Marote

Se olharmos atualmente para o Toco, a falésia continua a dar sinais de instabilidade. A praia está interdita ao público mas há sempre uns aventureiros a desafiar o risco. Vários projetos têm sido pensados para o local, mas não tem passado disso mesmo, ou seja, de intenções de investimento.

A única obra em curso no Toco é a consolidação do Cemitério dos Judeus que há muito vem clamando a intervenção camarária.

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Os habitantes do Toco consternados com a tragédia. Foto Rui Marote

Talvez fosse a altura de se olhar para o Toco com horizontes mais amplos, dado tratar-se de uma zona nobre da cidade.