Milhares de refugiados saltam muralhas para chegar à Europa: quem os acolhe?

Migrants break the police blockade to enter into Macedonia from Greece, on the border line between the two countries, near the southern Macedonia's town of Gevgelija, on Saturday, Aug. 22, 2015. About 39,000 people, mostly Syrian migrants, have been registered as passing through Macedonia in the past month, twice as many as the month before. They previously encountered little resistance at the border, but the recent influx has overwhelmed Macedonian authorities who this week declared a state of emergency and stopped many from crossing. (AP Photo/Vlatko Perkovski) Macedonia Migrants
(AP Photo/Vlatko Perkovski)

Com Rui Marote / A sociedade dita pós-moderna ou neo-liberal tem carros de luxo, comunica por celulares topo de gama, compra a crédito e faz férias para mudar de ares e recarregar energias. Mas esta sociedade evoluída tem milhares e milhares de refugiados da violência, da fome, da falta de liberdade, da miséria que gritam por braços que os acolham.

O FN dá eco daquele que é um dos principais dramas humanitários do nosso tempo: os refugiados. Despojados da pátria, traficados por exploradores, arriscam a vida por um lugar ao sol. Quem se preocupa com eles, do alto do conforto de cada ser humano?

Bem recentemente, o Papa Francisco saiu em defesa desta gente anónima, andrajosamente vestida e subnutrida, crianças e adultos, que ousam saltar os muros, atravessar as muralhas da dor para respirar liberdade.

O contexto desta notícia tem por base os milhares de migrantes, a maioria refugiados sírios, que passam este domingo a atravessar os territórios da Macedónia e Sérvia, com o objetivo de chegar à União Europeia, depois de estarem dias retidos na fronteira grega.

Segundo noticiam as agências internacionais, o movimento de pessoas começou na Macedónia no sábado, quando o país abriu as suas fronteiras com a Grécia, permitindo que milhares de pessoas viajem para o norte da Sérvia, com o objetivo de chegar à Hungria, que pertence à União Europeia.

 A fronteira na Macedónia só foi aberta depois de cenas dramáticas que ocorreram no sábado, quando milhares de migrantes, inclusivamente com crianças, forçaram as barreiras policiais para entrar no país.Crianças que seguem este desfile de seres humanos numa luta titânica pela sobrevivência num mundo dito civilizado.

A polícia macedónia tentou detê-los à força, entretanto, no sábado à noite levantou as suas restrições, depois de dias impedindo a entrada dos migrantes no país.

Neste domingo, pelo menos 6.000 refugiados e migrantes estão a atravessar o território da Sérvia, onde a agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tem oito tendas na aldeia fronteiriça de Miratovac, no sul da Sérvia, fornecendo comida e abrigo, segundo relatos de Amet Alimi, presidente da Cruz Vermelha de Presevo, à agência AFP.