Papa alerta para a fome do infinito do homem

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Foto in Agência Ecclesia.

O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que as palavras de Jesus colocam os crentes “em crise diante do espírito do mundo e da mundanidade”, respondendo à “fome de infinito”.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus, o pontífice argentino apresentou uma reflexão sobre o discurso do ‘Pão da vida’, pronunciado por Jesus logo após o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Ao entusiasmo do milagre seguiu-se a deceção do povo, face a um discurso “duro” que rejeitava a imagem de um Messias “vencedor”.

“Na verdade, eles entenderam bem o discurso de Jesus. Tão bem que não querem ouvi-lo, porque é um discurso que põe em crise a sua mentalidade. As palavras de Jesus colocam-nos sempre em crise; em crise, por exemplo, diante do mundo, da mundanidade”, precisou.

Segundo Francisco, a verdadeira causa da incompreensão das palavras de Jesus é a falta de fé, recordando que “muitos dos seus discípulos voltaram para trás”.

Os discípulos que ficaram foram questionados pelo próprio Cristo e foi São Pedro a fazer a confissão de fé em nome dos outros apóstolos: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna”.

Ele não diz “onde iremos?”, mas “a quem iremos?”, precisou o Papa.

“Tudo o que temos no mundo não satisfaz a nossa fome de infinito. Precisamos de Jesus, de estar com Ele, de nos alimentarmos à sua mesa, das suas palavras de vida eterna! Crer em Jesus significa fazer dele o centro, o sentido da nossa vida”, sustentou o Papa.

Francisco desafiou os presentes na Praça de São Pedro a refletir sobre um conjunto de questões: “Quem é Jesus para mim? É um nome? Uma ideia? É apenas uma figura histórica? Ou é realmente aquela pessoa que me ama, que deu sua vida por mim e caminha comigo”.

Neste contexto, insistiu na necessidade de ler uma passagem do Evangelho todos os dias, trazendo uma edição do Novo Testamento no bolso para ler “em qualquer lugar”.

Depois, o Papa pediu que todos fizessem um momento de silêncio e cada um em silêncio, no seu coração, se perguntasse: “Quem é Jesus para mim?”.

(Texto extraído da Agência Ecclesia, de OC, 23.8.15)